segunda-feira, 21 de março de 2011

ADIVINHE QUEM NÃO VEIO PARA O JANTAR

Êêêê, índio quer apito se não der, pau vai comer...Lá no bananal...
Olha a minha felicidade aí, gente!
Ui, que delícia a visita de Obama!
...Não, não sou fã de carteirinha dos Estados Unidos da América, nem tenho a menor simpatia pela lengalenga de o país ter colocado na presidência um negro e blá,blá, blá... Minha paciência para o black power é escassa tanto quanto para a questão de separar o mundo em brancos, negros, índios, amarelos, verdes, roxos, homossexuais, mulheres, héteros, homens, gays, lésbicas, simpatizantes et caterva. Odeio isso. Não sei como ainda não repararam que essas divisões só fazem acirrar ânimos, é péssimo. Eu digo sempre que, se me acontecer algum caso de polícia – Deus me proteja! – não quero ser atendida na Delegacia da Mulher: exijo ser tratada como um ser humano igual aos demais e pronto. E quando fico sabendo que um jogador de futebol, por dez meses de casamento com uma atriz de 24 anos, forte, sacudida e com boa profissão, com quem não teve filhos, é obrigado a pagar 50 mil mensais de pensão para a moça, sinto arrepios de vergonha feminina.
Enfim...
Conheço gente, aqui no Brasil, que ainda alimenta a síndrome do colonizado e, para essas pessoas só há vida inteligente na terra onde viceja aquele sanduíche sem gosto – nem vou falar da comida em geral porque não considero a gororoba sioux exatamente como alimentação, talvez seja algo em torno de ração, enchimento de estômago. Comida, comida mesmo, difícil. Certa senhora com quem conversei recentemente no cabeleireiro me deixou estupefata: para ela, até mesmo fazer as unhas – coisa com que as americanas não sabem lidar, a ponto de terem enriquecido umas moças mineiras espertas e hábeis que lá ganham rios de dólares no ofício de manicure -, só serve nos States, só nos domínios de Tio Sam se pode ter pintadas as unhas decentemente, pfui. Ela também é capaz de voltar de lá com a mala repleta de tralhas facilmente encontradas em qualquer supermercadinho de bairro ou lojas de 1,99 por aqui, ora, o mundo é uma bolinha de gude, quanta ignorância!
Mas eu dizia da minha alegria com a visita de Obama...
Simpaticão o presidente. Simpática a mulher dele, simpáticas, as filhotas. A família parece um anúncio de margarina politicamente correto.
Mas não é da simpatia dos Obamas que quero falar aqui.
A minha alegria – e eu fiquei realmente exultante – foi ver todo o cerimonial em torno da ilustre visita sem uma única metáfora de feira, sem um segundo de conversa flácida, sem uma gracinha de botequim, sem ouvir o som da FM Garanhuns na minha orelha, Deo Gratias!!!! O Cara foi convidado para a contradança palaciana, mas em não sendo o puxador do minueto, decidiu ser gentil aos nossos sacos repletos de sua figura e não compareceu, glória a Deus! Andou dizendo que não queria empanar o brilho da sucessora. Conversa! Não conseguiu suportar saber que faria figuração, que ninguém daria grandes espaços para suas tiradas metalúrgicas, que não seria o sol a ditar as regras do evento, a luz a dominar os vassalos, o grande piadista do salão, o centro das atenções com seu festival de besteiras, enfim, não iria aparecer nadinha. Acima de tudo, sabia que Obama já deve ter reconsiderado seu juízo sobre ele, mormente depois que, abraçado a Ahmadnejad e companhia bela, o cabra nos envergonhou não menos do que deixou o presidente americano de cara no chão. Aí, não foi, não quis pagar o mico. Sorte nossa.
Oh, Senhor! Aleluia!
...Mulher de branco, mandou p’ra índio colar esquisito...
Aos poucos estamos desencarnando esse espírito opressor das opiniões nacionais, esse pastor das ignorâncias, esse locutor de rodeio de baixa categoria, esse calango do nhenhenhem. Foram oito anos de tortura, oito anos de tormento, oito anos como nunca antes neste país, Deus nos livre, hoje estamos libertos!
...Índio viu presente mais bonito, eu não quer colar, índio quer apiiiiito!!!!!!!
Tem coisa melhor no mundo? Deve ter, mas como na propaganda do cartão de crédito, tirar esse encosto das nossas vidas não tem preço. Rezemos pois, pelas almas de São Bernardo, pobrezinhas, pois alguém tem de arcar com essa herança maldita, segurar esse rojão, hospedar essa megalomania, já que Lady Dil, discretíssima, vai se distanciando da figura aos poucos, porém indelevelmente, dando-nos a esperança de que não abrirá espaço para a volta daquele que nunca, em verdade, desejou sair, cruzes...

Doca Ramos Mello
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