sexta-feira, 18 de março de 2011

O mundo está mesmo muito estranho, por Marli Gonçalves

"Meu, o mundo tá muito estranho". Duvido que você não tenha ouvido essa frase nesta semana de horror. Que não tenha concordado com ela. Duvido que também não tenha medo, e não se sinta como uma barata tonta, sendo pisada, caçada por algo maior, desconhecido, imensurável, complexo, chamado Futuro, sobrenome Natureza, e apelidado Destino


Maremoto, que dá tsunami, terremotos e o risco de um desastre nuclear sem precedentes em uma das maiores e mais desenvolvidas nações do mundo, o Japão. Era mais do que a gota d’água que faltava para a gente ficar paranóico de vez. Não precisa nem esperar 2012 quando uns malucos de pirâmides douradas juram que sabem que o mundo vai acabar. É todo dia. Toda hora. Cada notícia mais louca que outra, mais constante, mais punk, mais esquisita. Isso além daquelas que são i-na-cre-di-tá-ve-is, tanto, mas tanto, que chegam a ser folclóricas.

Nós, aqui, ainda temos de aguentar umas catracas que nos governam fazendo catraquices, como por exemplo, nossa representante na ONU se abstendo de votar sanção contra a Líbia do Kaddaffi (gosto assim, dois ds, dois fs). Não parece mesmo o fim do mundo uma decisão como essa tomada justamente quando os kaddaffinhos afirmam, o povo como refém, que haverá banho de sangue civil correndo por ali? Kaddaffi e os kaddaffinhos me lembram dos mafagafos e mafagafinhos, bem monstrinhos. Nossa política internacional? Esta nem me lembra nada de tão chutada que é.

Justamente nesta semana, completando o quadro, o homem mais poderoso do mundo, o presidente americano, o primeiro presidente negro, Barack Obama, vem para cá, para encontrar com a primeira presidente mulher do país, Dilma, e no meio de todos esses acontecimentos internacionais. Mais? Esperavam dele um discurso histórico; primeiro seria lá na Cinelândia, mas o barato foi cortado. Digamos que julgaram que seria mais seguro Obama aparecer em sala fechada e bonitinha, como o Teatro Municipal, todo mundo sentadinho e bem revistado. Por causa de Obama, até Cristo foi revisado, revistado por tropas de elite. Pede para sair! Ainda querem levá-lo para passear e ver um pouco de pobres e miséria, em uma favela, ou alguma outra "pracinha" de uma pacificada cidade do Rio de Janeiro, o Rio. Agora, dizem que pretende tomar um banho de mar. Descarrego no Rio de Janeiro? O Rio de março.

Nessas águas e nas passadas. Neste ano, nem precisamos por os peitos na janela. Bastou ligar a televisão e por ali passou tudo: a banda e as casas e as pessoas, árvores e os animais, todos carregados, levados na enchente da serra fluminense. Vimos carros empilhados, mortes e desespero também nas enchentes do Sul e resto do Sudeste. São Paulo boiou.

E fez calor. Muito calor, um calor opressivo. Não era só o calor do verão, o tão esperado. Era um forno maldito, sufocante, incapacitante. Choveu, choveu, choveu. Tudo bem. Mas e os raios? Muitos raios, relâmpagos, descargas - como nunca antes - crisparam, cindiram, rasgaram os céus de forma apavorante.

Lá fora um frio cortante, neve para mais de metros. E gritos, muitos gritos de liberdade, vindos do Oriente Médio, de cada pedacinho. Um diferente do outro, mas todos parecidos, pesados, violentos, religiosos, remotos. Enfáticos, assim como as palavras que preciso usar. Vozes que se levantaram mesmo que vindas de debaixo das burcas pesadas, só os olhos de fora, túnicas e crenças míticas, sacrifícios em acampamentos. O pavio queimando, como o das velas de aniversário que apagam e acendem, a qualquer fagulha.

E veio a água e o tremor. Ou o temor, como aprendi no sábio I-Ching - "Há de se saber diferenciar o tremor do temor", li certa vez e jamais esqueci. Como no oráculo chinês, só se vê como previsão água sobre terra, vento sobre terra, lago sobre céu, céu sobre terra, fogo sobre montanha.

Nós? Corremos como baratas quando fogem de nossos pés e vassouras, dos bicos finos de nossos sapatos. Dos sprays que lhes empunhamos como canhões e jatos de efeito napalm. Queremos matá-las. Extermínio seria uma palavra adequada. (Me perdoem os budistas)

Sempre fui, mas realmente ando mesmo ainda muito mais impressionada com as baratas. Para me apavorar, fazer o tradicional terrorismo "brother", meu irmão me contou que viu num documentário como elas são capazes de se comprimir, ficarem chatinhas e como, assim, conseguem e conseguirão escapar - ele descreveu, sádico, citando cada imagem, imitando a barata ficando chatinha. Fazendo cara de barata achatadinha.

Dizem que são os únicos bichos que sobreviveriam a uma hecatombe nuclear. Eu ouvi. Agora fico sabendo de operações de resfriamento de usinas radioativas com ácido bórico, o que eu achava que matava as baratas, e vejo aqueles helicópteros sofisticados carregando "baldinhos", como parecem de longe aquelas toneladas de água e as moscas voadoras enormes, para lá e para cá, trazendo também a água do mar, e com o ácido. O ácido bórico. Quantas visões aterrorizantes!

Hãhã. Esse mundo anda mesmo muito estranho.

São Paulo, distante 396 km de Angra dos Reis, e a nove meses de 2012.


(*) Marli Gonçalves é jornalista. Virei blogueira também, vocês já sabem (http://marligo.wordpress.com). Mas se eu pudesse captar tão fácil R$ 1,3 milhão para fazer um blog�? como a Bethânia conseguiu com seu projeto de "extrema bondade poética com esse povo ignorante de poesia", acho que também postaria um vídeo por dia, Com o que vocês quisessem. Talvez até topasse cenas de nudez! E como diz meu amigo, por um milhão? Ok! Faço por 880 se for sem nota...

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