segunda-feira, 12 de julho de 2010

Eu quero ter um milhão de amigos, por Marli Gonçalves


Quero mais seguidores no Twitter; conexões no Plaxo. Seguir e ser seguida. Quero ser um contato do seu Outlook, dividir meu Skype e o MSN. Quero ver sua cara no Facebook, me inscrever no seu mural, compartilhar, ficar membro do mesmo grupo. Me aceita como amigo. Registra no seu i-phone, Blackberry, N qualquer coisa. Tecla e me prende na sua rede social. Atualize seu perfil, me mostra o Avatar. Manda um cartão virtual. Dia 20 é Dia do Amigo. Mas o que é ser amigo ultimamente?


As palavras perderam a forma e agora uma coisa também quer dizer outra. Amigos, chego e peço um conselho de amigo: agora, no Dia do Amigo, o que faço? Cumprimento a minha dúzia particular ou cumprimento a todos, todos os meus amigos virtuais? Incluindo os leitores que não conheço, mas sei de suas histórias mais do que deles próprios devem saber alguns dos amigos? E os que eu nem sei quem são, nem eles têm a mínima ideia de quem sou, porque me encontram, só esporádicos? São meus amigos, acompanham meus pensamentos. E os que nem sabem que os tenho como amigos, apesar de tudo?

É tudo diferente, e ao mesmo tempo passamos batido na definição. Os amigos são fundamentais. A amizade é um sentimento deveras interessante, extremamente nobre, uma arte difícil - inclusive - de dominar. Há amigos que matam ou morrem por você, como estamos vendo, incrivelmente apavorados. Por dinheiro, admiração, fraqueza. Companheirismo e solidariedade. Todas as histórias desses tipos valem livros, romances, filmes, óperas e epopéias. Ou filmes de terror.

É o Macarrão, o Coxinha, o Bola do Bruno. É o Sancho do Dom Quixote. O Robin, do Batman, o Lothar do Mandrake. O Sebastian e o Linguado, da sereia Ariel. Até o último dos moicanos tinha um amigo.

Há o amigo vampiro que faz tanta sombra à sua volta que dá calafrios e você o segue, zumbi, forças chupadas. Nem você entende. E às vezes você não o vê no reflexo do espelho.

Há os amigos que não vemos mesmo, mas sentimos. Pelo cheiro, pelo gosto, pela alegria de uma recordação. Estão ali presentes em nossos atos, mesmo que estejam até mortos. Ou sempre longe. Por eles a gente faz mais, se dedica de coração, homenageia em silêncio com as vitórias.

Há os amigos eternos. E também há os ex-amigos, que merecem ter algum tipo de consideração da sua parte. Afinal, ora, vocês devem ter trocado duas ou três confidências. Mantenha-os à vista, se possível.

Há os amigos de infância. Sempre que deles lembramos, as imagens são boas. Puras e coloridas pela ingenuidade da época.

Há os amigos de adolescência. Costumam ser ou ter sido relações passionais, terríveis, difíceis, possessivas, mas fundamentais na formação do caráter, sexualidade, comportamento e direção. Nas safadezas da vida. Quando relações sobrevivem a esse período costumam também ser eternas. Pode levar para lá ou para cá, definir o futuro, nesse momento complicado e complexo. Antigamente arquivávamos esses amigos nos nossos diários, que pedíamos que preenchessem, com tolices românticas e frases feitas. Como será hoje? O que trocam?

Há os amigos da velhice. Aqueles que encontramos ou só encontraremos mais tarde, e que podem estar em qualquer lugar, ser de qualquer cor, posição social, idade ou sexo. São aqueles com os quais os solitários conversam nas ruas, o barbeiro, o jornaleiro, o dono da padaria, o chapeiro do seu hambúrguer. Os clubes da terceira idade de certa forma devem servir para que continuemos mesmo desejando querer ter amigos. Coleção que a certa altura da vida - essa é a verdade - a gente resolve encerrar, não quer mais achar peças, muito menos que sejam muito originais. Não tem curiosidade. Não tem mais saco de cultivar. Ficar amigo dá trabalho, quase igual às plantinhas e animais que tantos preferem. Pior: planta e bicho não traem.

Amigos podem ser casados, inclusive entre si. São as relações que mais costumam dar certo. E, se o amor acaba mas mantém-se a amizade, o caminho da felicidade, aconteça o que acontecer, será sempre mais leve. Esposas e maridos precisam entender a importância de amigos ou amigas nas relações, inclusive para ajudar a desvendá-las. Amigos costumam conhecer muito melhor os defeitos, por exemplo, assim como histórias pregressas. Amigos podem ajudar no equilíbrio, e até - você terá de acreditar - ser bons conselheiros. Não implique tanto. Não desafie: "ele ou eu".

Amigos são amigos. Com o amigo, você faz xixi de porta aberta. Toma banho com ele sentado na privada, conversando. Toma água no mesmo gargalo. O que acontece com ele acontece com você também, como se fosse uma coisa só. Você sabe tudo dele, mesmo que de longe. E a mão é dupla. Um torce e pensa no outro a distância que houver. Tem amor na receita. Precisa ter muita compreensão, carinho, confiança e admiração. A amizade não tem cara, bonita ou feia, magra ou gorda; ela sobrepuja isso.

Eu quero ter um milhão de amigos. Porque amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração. Assim falava a canção, que na América ouvi. Amizade, amigo, emociona assim.

Certo, my friend?

São Paulo, seco, seco, inverno, 2010. A Terra é azul.

Marli Gonçalves é jornalista. Acha super legal essas promoções de dar coisas para atrair, para que as pessoas cheguem, e fiquem por perto nas teias virtuais. Mas só consegue pensar em bobagens para dar.

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Momento informativo:

O Dia do Amigo foi adotado em Buenos Aires, na Argentina, no Decreto nº 235/79, e gradualmente se espalhou como idéia pelo mundo. A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro, dentista, professor e músico. Inspirado na chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969, considerou que a conquista era não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo.


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