domingo, 16 de maio de 2010

Siricuticos e tremeliques, por Marli Gonçalves

Adoro palavras. Às vezes guardo no arquivo do cérebro algumas ouvidas e lidas aqui e ali; outras, fico tempos rodando com elas. Muitas são musicais; outras, fortes definições. Duas das minhas palavras de estimação são sentimentos. E que você também pode estar tendo, acredite.


Estar com siricutico significa estar ansioso (a), nervoso (a), curioso (a) ou as três coisas ao mesmo tempo. Na internet tem um dicionário informal das palavras, onde encontrei essa ótima definição de estado de espírito. Aí tive um tremelique. Tremelique é susto, surto, arrepio, visão, pensamento rápido. Sensação sentida. Siricutico, por sua vez é cerebral. O siricutico é igual coceira. E o tremelique, esse pode provocar arrepios.

Ansiosa, nervosa e curiosa sobre o que vai acontecer. Não só aqui no arraial, mas no quintal do país, do mundo. E sentindo tremeliques a cada notícia, seja política, esportiva, internacional, ou econ�?mica. Parece que nada está firme na face da Terra, e que de vez em quando ela sacode e gira ao contrário. Dá até certa tontura, um enj�?o, já percebeu? Tenho até medo de desenvolver uma gastrite por conta de tantas azedices. Ouvir, por exemplo, a coisa sendo comparada ao Nelson Mandela pelo cara que acha que pode até com as maldades do Irã, e não aguenta nem arrumar a própria casa: isso dá siricutico. E tremeliques nervosos, que nem mais tiques são.

Agora vejam só quem voltou, e ao que parece, mais loura e descabeçada ainda: a Marta Suplicy. Vejam se não é para ter tremelique, siricutico. Ela ousou, digo ousou, para defender Dilmão, tentar puxar o Fernando Gabeira para um debate que ela sabe muito bem que não é este. Afirmou na festa dos seus amigos estrelas vermelhas Mercadanteadas (vejam onde!):"Esse sim sequestrou. Eu não estou desrespeitando ele, ao contrário, mas ele sequestrou. Ele era o escolhido para matar o embaixador. Ninguém fala porque o Gabeira é candidato ao governo do Rio e se aliou com o PSDB. Então ninguém fala", disse a Dona Marta, pré-candidata ao Senado, em São Paulo, na chapa com Mercadante.

Outra vez, Marta? Ainda não aprendeu que essa sua empáfia está te cegando e, o que é pior, emburrecendo você e fazendo as pessoas perderem as gotas de respeito que ainda pingam por aí? Vai dizer que não disse o que disse e que a imprensa entendeu errado?

Dona Marta, o Gabeira já passou dessa fase de esquerda infantil da qual vocês não conseguem se livrar, e não só pagou muito caro pela escolha da luta armada no próprio corpo, na própria vida. Foi mais longe. Por isso é respeitado. Ao contrário de entre outros muitos aí do seu lado, do companheiro Franklin Martins que também estava lá e que vive sempre batendo o pezinho, pronto só a reclamar o passado, a autoria dos bilhetes "revolucionários". Quando ele tentou mexer com o Gabeira, logo se aquietou. Ah, aliás: José Dirceu e muitos outros foram libertados graças a esta ação. E não sei de onde a senhora tirou que ele era o escolhido para matar o embaixador. Esse livro não li. E não foi bem o que o embaixador disse ao ser libertado; nem o que expressou à sua família.

Linda a resposta dele para a senhora, Dona Marta:"Vou ignorá-la. Como ela merece, de uns anos para cá".

Gabeira é homem contemporâneo, de coragem, de posições firmes e inovadoras. A sua Dilma - seja ela quem for - não progrediu, não cresceu, não virou gente. A cada vez que se mostra é apenas um poço de contradições. Ela não sabe se vai ou se fica. Como diria meu pai, não desenha nem um "ó" na areia. Acho que você foi contaminada, Marta. E por isso você me dá siricutico, tremelique. E eu tenho vontade de saracotear.

Teremos de ficar os próximos meses tentando nadar cachorrinho, com a cabeça fora d`água. É o Brasil com a bola no pé, ufanista, verde e amarelo, em cada esquina, em cada produto, em cada conversa, em promoções mirabolantes, como se realmente fosse essa a coisa mais importante.

É ano eleitoral, o Brasil com o título (de eleitor) na mão, sem treino técnico adequado, sem uma boa seleção de candidatos, com uma legislação antiquada e incapaz de atender aos reais preceitos da democracia.

E ainda por cima essa argumentação rasteira que chega nos discursos.Vai ser difícil.

São Paulo, pleno inferno astral, remelexos de todos os lados.


• Marli Gonçalves, jornalista. Se pudesse, iria sarabandar por aí.

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