terça-feira, 22 de setembro de 2009

Telecoteco sideral: nossa vida virtual, por Marli Gonçalves

Smack, beijo virtual. Smile, as carinhas do humor, ou do mau humor. Avatar é fotografia. Poste seus sentimentos e tuite suas impressões. Manda um e-mail, se liga no meu Skype, se agrega no meu YouTube. Não se esquece de entrar no meu blog. E olha bem meu conteúdo. Livre, por favor!

Compartilha-me na sua rede social. Vamos abrir um grupo de discussão. Moderar os comentários, talvez. Mostre-se na webcam, para eu ver seu perfil, profile; ou algo mais, se quiser mostrar. Abre o seu MSN para mim? Não me bloqueia! Libera seu spam. Compartilhe com amigos. O que você está fazendo? Isso é o que menos importa. Parece conversa de maluco, potencialmente de cunho sexual. E é. Emocionalmente afetados que estamos pelos novos sistemas, pelos meios de massa, pelas formas de comunicação. Cada um ali, na cabine, na nave, na saleta, no chiqueirinho, isolado, tela iluminada à frente, mostrando-se emocionalmente falido, em concordata, vendendo fiado. Mercado Livre, leilão online, Submarino, Buscapé, Contas Abertas, Transparências... – cada um de nós camelô sem botar o pé na rua. Comentando sobre tudo e pondo fogo na canjica sem por a cara não-anônima para bater, terroristas e ativistas, alguns violentos. Todos de araque. Nem na Second Life, nem em 3-D. Uma bateria descarregada e a violenta arma da defesa patriótica dá chabu. Cai.Vou pegar o blackberry para fazer um SMS. Não, não é ir ao banheiro falado em código, que para isso tem outros meios e frases bem legais. Em código às vezes falamos nos telefones – talvez grampeados e bichados – que parecem mais as Torres de Babel da modernidade. Já tive conversas da maior importância que, se gravadas, revelariam que não, não eram duas crianças falando em linguagem tatibitati. É o telecoteco sideral, quando você acha que entendeu, e não entendeu nada, ou acaba perguntando e dizendo exatamente o que não era para ter dito para não chamar e acionar O Guardião para si e para os coitados que te ligarem. Todos caem na rede. Não, O Guardião não é uma carta do tarot, mas o sistema usado pela inteligência e bisbilhotice nacional, e que busca dar salvaguardas discutíveis à falta de investigação real, séria.- Sabe aquilo lá? Pois lá em cima estão dizendo que o careca vai pegar a preta e sair. O brigadeiro não chegou para a festa, mas o "Rambo” foi. Estava com ela, sabe "aquela”? Pois não é que o narigudo peitou a "bunduda” e comeu o "acarajé”? E aí, tem visto o "Monstro do Lago”?O mundo político falando, falando, em criptografia, em satélites com senhas variáveis e caleidoscópicas, como dizem que por aqui se tornou comum, não sei se vocês já sabem. Quem pode grampear o Lula, a Dilma, a turma deles, o Franklin? Chavez, El Armador! O satélite que passa aqui - passa lá e acolá. Procede? Se souber mais detalhes, me conte. Use o Código MXWLL7781-x. Que não quer dizer nada, como todos os outros.Smartphone, smartcar, e vamos ficando por aí, pensando que somos os smarts maiorais, com sangue e sensores de bluetooth. Nos comunicamos, sim, cada vez mais em vertiginosa velocidade e conectados entre nós e mais outras milhares de pessoas que não temos nem teremos a menor idéia de quem são, e se elas podem, inclusive, nos deletar de verdade. De muitas delas dependemos sem saber, ou querendo saber mais, às vezes até em perigo. A vida de todos está aberta, escancarada. Já se procurou?Pense bem. Seja sempre bom. Faça tudo certo. Principalmente o registrável. O negócio é marcante e pior do que fogo em palha: não há bombeiro que apague incêndio (e informações) na rede. Rescaldo fica. Diga uma bobagem qualquer com tom sério, ou venda-a para alguém sério que esteja na tela. Pareça e diga que é, e pode ter sorte. Qualquer bobagem vira verdade, retransmitida, batida, debatida, pervertida, estudada, dissecada. A boca boba, a baba boca. Baba, boca baba. A baba boca. Boca Boba. Boabababocaboba. Baba boba. Cutuca meu Orkut. Se neguinho qualquer morre agora, já é alguém, já tem perfil, às vezes até já encontra os epitáfios. Dá oi, olá, me aceite como contato. Com Plaxo, Sonico, Hi-5. Mas eu não conheço você. Chega ao portal e me manda o download de sua foto, e a do seu gato ou cachorro, que eles também têm vez neste cibernético espaço. Democrático espaço. Tem gente importante gostando da brincadeira dos microblogs, do passarinho cantando, e fazendo amigos que não teria. Penso se, quando certos deles começarem as campanhas políticas, como farão se não terão mais tempo de serem eles próprios. Para enfrentar o que é ruim, tudo quanto é lixo e mensagens edificantes que recebemos – até piratas - tem de valer a pena todo o resto desse olho mágico. Queremos sim a liberdade total da rede para nos encharcarmos dela. E ver onde vai dar e para quem vai dar. Não pode isso, não pode aquilo, não põe a mão ali; não pega lá – isso é conversa de bate-papo. Furado.

SP, IP, XP, 22. 0.9.2.0.0.9.

• Marli Gonçalves é jornalista. Anda rebolando para acompanhar tudo o que acontece toda hora e aparece e desaparece e não pode ser encontrado, mas existe ou existiu. Como os servidores e provedores que andam difíceis. Palavras duplas, servir e prover. Emocionalmente perturbadoras.

Conhece o Twitter? Também estou lá, puxando um grupo legal de seguidores. Mas falta – e eu estou esperando - você . Siga-me! É divertido. Tenho postado coisas legais, noticinhas e afazeres do dia-a-dia.

O endereço é "www.twitter.com/MarliGo

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E-mails:marli@brickmann.com.br
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