segunda-feira, 9 de agosto de 2010

AS COISAS QUE (AINDA) PODEMOS MUDAR, POR MARLI GONÇALVES

O mundo pode ser dividido em coisas que sabemos que podemos mudar e outras que, temos a certeza, não adianta nem tentar. Por favor, todos, vamos tentar nos mexer em alguma direção, para conseguir um futuro sem volta.




Sinto um desânimo geral. Talvez seja uma TPE coletiva, a proximidade das eleições, a vontade de também ganhar um pouco; pelo menos um lugar ao Sol. Em alguns, da minha ou de gerações mais próximas, reparo que há um cansaço, uma bolsa de olheira mais profunda debaixo dos olhos. Tantos ideais, ideias, idealizações, em nome dos sonhos, das utopias. Foram tantas as reuniões, passeatas, protestos. Quantas encrencas! Quantas discussões acaloradas, amizades desfeitas, vidas levadas, em nome de dogmas. De discursos, sim, no papel – não, o Éden não está aberto - e que propunham sociedades perfeitas, desde que < ;i>“os” seguissem - vindos da direita, ou da esquerda, do céu ou do inferno. Desde sempre divididos em torcidas com cores e bandeiras, slogans e paixões.

Uma maçã proibida, um pecadilho, e nos dividimos. Assim é na política, na religião, ou nos costumes sempre tirados pela média, que é uma medida muito ruim. De repente, aqui e ali, caem bombas no nosso colo, batemos a cara na porta. Ainda atordoados vemos que não fizemos nem metade do que podíamos - impedidos que fomos até exatamente por quem até ali nos havia guiado. Temos amigos dos dois la dos do rio, mas destruímos as passagens. Como nem toda mulher é bunda, como diz Rita Lee, nem todos os brasileiros, iranianos, iraquianos, afegães, argentinos, colombianos e venezuelanos, judeus ou palestinos são responsáveis diretamente. É a história que vai se desenrolando. Mas cada um de nós é responsável pelo limite dessa história. Há as coisas que podemos mudar. Ou ir mudando, como diria alguém do telemarketing.

Toco nesse assunto porque, sinceramente, não acredito que algumas pessoas que conheço tão bem, sei o que pensam e querem, fizeram tanto, emburreceram. E nem quero imaginar que elas pensem de mim o mesmo. Calma. Antes que me apedrejem, afirmo com todas as letras: não dá para achar que temos – seja qualquer um deles - candidatos bons, ideais, perfeitos, empolgantes à Presidência, cada um mais chato do que o outro.

Dito isto, continuo. Mas também não dá para exagerar e fechar os olhos para o possível e verdadeiro desastre de Dilma ser eleita.

Estou falando sério, por favor. Não é ataque de antipetismo, partido que ajudei a fundar e quem me conhece sabe que não dá mesmo para taxar-me de reacionária. Também não é, juro, amor por nenhum dos outros, pessoas, programas ou partidos. Ao contrário, se ela fosse legal, quem como eu não sonharia em um dia ter uma mulher no comando do país? Mas não consigo preencher quesitos básicos com a pessoa. É apenas a lógica: que pena, o governo atual escolheu uma péssima opção para a sucessão. Se quiser ganhar, e quer, terá de impor, o que está fazendo de forma verdadeiramente escandalosa. Isso não é democracia. Agora, se você está entre os que aprovam o cara, está é no mato sem cachorro. Mas não me venha dizer que dá para compararela com ele, por favor! Seu travesseiro sabe da sua vida. E do seu voto.

“Ela” nunca me fez nada, mas tenho medo de sua flexibilidade para imposições, imposturas e impostos, além da insegurança que demonstra atuando no papel. Tenho medo da cumplicidade cega de sua trajetória, nos últimos anos sempre com a caneta na mão, mandando e babando vinganças. Balbuciando palavras aprendidas e mal decoradas, em um rococó verbal feito só para enrolar principalmente a maior parcela da população brasileira, incapaz de entender um texto, de ouvir com atenção. Repleto de vazios, com acentuações, t�?nicas e ênfases. Se você está aqui, lendo, pensa bem. Quem é que pode mudar isso? Você. Mas não falando entre nós, como está ocorrendo. Sabe disso, certo? Mãos à obra!

Por mais que me esforce, temo que ter sido como alguns acham, um (a) ministro (a) competente não quer dizer nada nessa hora. Nem para um, que vemos há anos para lá e para cá, e que pelo menos deixou uma obra visível e inquestionável na Saúde; nem para a outra, que governou sem tradição e sem brilho, com o braço forte e o berro na ponta da língua. Nem para a terceira, obrigada a se render em pontos inegociáveis do meio ambiente.

Deles, o homem careca que pouco dorme e não sabe sorrir é apenas o mais preparado. Sem papas na língua, infelizmente, é ele. Com todo seu mau humor e idiossincrasias, falta de expressão de emoção. Ele é o único que vem da linhagem política necessária para comandar esse balaio Brasil.

A terceira, frágil via verde, é mais uma propagandista das boas causas, no que faz muito bem, do que candidata. Quando ela fala pelo PV, até esquecemos momentaneamente sua religiosidade pessoal que infelizmente a impede de ver pessoal e claramente a questão do aborto, das células-tronco, das drogas. Ela ainda é a melhor coisa dessa campanha, o refresco que mostra uma pessoa diferente. Mulher, guerreira, convicta, quase transparente. Palmas.

Acabou. Acabaram as opções, já que há outros candidatos, mas nós não estamos brincando nem de autorama, nem de trem-bala, nem de camponeses rosados.

Não é desesperador? Fica todo mundo se xingando pela Internet, atrás de pseud�?nimos ou mesmo de empregos vantajosos. Os mesmos de sempre falando as mesmas coisas, no alto de suas montanhas, rounds assistidos hoje por uma silenciosa audiência de milhões e que só espiam. De livre e espontânea vontade, nada de ir às ruas, caras pintadas, camisetas coloridas, faixas, bandeiras, buzinas. Nada para tentar mudar, anestesiados que fomos com os itamar, tancredos, sarneys, collors. Nada de se mostrar. Eu, hein?

Estou falando sério, sim. Estou de saco cheio de ver eu e poucos amigos louvados quase dantescamente pela nossa clareza e coragem de escrever. Ao mesmo tempo, acusados que somos de estar “ganhando” para pensar, disto ou daquilo. E, na verdade, sozinhos. Sem condições, sem apoio, sem “turma”. Ou vocês acham que o Serra, ou algum enviado, vai me ligar para agradecer? Que a Dilma vai me procurar para mudar minha opinião, ou mesmo me contradizer? Que a Marina vai aparecer na minha frente e me abraçar?

Não, formadores de opinião independentes como nós somos seres contagiosos, em especial nessa época. Os amigos do rei não nos procuram porque somos oposição, como se isto nos tornasse menores; não apenas críticos, como somos, com ideias aplicáveis. Os inimigos do rei nos evitam porque podem pensar que eles estão pagando... Liberdade de consciência, aqui, parece coisa de tratado americano. Aqui rola é patrulha mesmo, mano!

Não é fácil, mas há coisas que podemos mudar, sim. Ou pelo menos começar a pensar sobre elas. Carros coloridos estão de volta, para mudar o cinza e preto da paisagem árdua das grandes cidades. Você pode mudar seu estilo de vida, sua alimentação, seu rosto, seu corpo, seu cabelo. Corta aqui, corta acolá, puxa, estica, suga. Pode trocar cachorro por gato. Pode mudar de preferência sexual - gostar de mulher, homem e/ou/junto.

Mas, atente: a consciência, esta, não pode mudar. Devemos segui-la porque é nossa. Para que jamais sejamos por ela perturbados, em nenhum momento até o fim de nossas vidas.

Faça sua parte. Colabore com a Independência.



São Paulo, centro de velhas raposas que se misturam às outras espécies, 2010..




· • (*) Marli Gonçalves é jornalista. Sempre trabalhou com marketing político, não com mágica. Mas já viu mágica ser fe ita para iludir muita gente.



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