sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lula, seus companheiros e Sekineh

30/07/2010

O governo Lula tentou de todas as formas acabar com a lei da anistia para poder , segundo a alegação feita , fazer justiça contra os agentes policiais que perseguiram e torturaram aqueles que lutavam contra o governo militar , usando de ações violentas como assaltos a bancos, assassinatos de civis inocentes, atentados terroristas, guerrilha e até sequestro de embaixadores.

A lei de anistia ampla , geral e irrestrita foi aceita e referendada por todos os políticos naquela época, justamente para possibilitar um retorno pacífico à democracia . E foi o que se deu.

Mas , passadas mais de duas décadas, o revanchismo encabeçado pelo Ministro Paulo Vannucchi foi reaceso e só não vingou porque a reação foi forte.

Mas digo isso agora para registrar a incongruência das decisões deste governo, que por um lado alimenta a "piedade" por aqueles companheiros que agiam na clandestinidade sabendo dos riscos de punição por estarem afrontando a lei de um governo- não aceito por eles - mas constituido, e por outro mostra a mais total indiferença diante de uma ação hedionda que se fará no Irã contra uma mulher .

Lula não se comove com a sentença de morte dada à iraniana Sekineh , que será morta através de apedrejamento em praça pública por manter relações com um parceiro sem ser com ele casada...mesmo sendo já uma viúva. Ele diz que não se manifesta à favor dela porque a lei lá no Irã é essa, e se interferisse, tudo viraria uma "avacalhação".

Lula não percebe que justamente neste caso sua interferência seria vista por todo o mundo como um sinal de maturidade e respeito aos direitos humanos, direitos esses que devem valer para todos os humanos , independendo de estar submisso à uma crença ou à legislação de uma país. Será possível que para Lula algumas pessoas sejam menos humanas que outras? Isso sim é que seria uma grande avacalhação.
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