quinta-feira, 15 de março de 2012

Comissão da Verdade, mas qual Verdade?

Qual verdade é essa que desejam alguns, muitos deles hoje no governo e outros, já fora dele, afastados por corrupção? Ora, que nos deixem prosseguir em paz, respeitando a Lei da Anistia aprovada para ser ampla, geral e irrestrita. Se excessos houve, foram praticados pelos dois lados, cada um com sua justificativa; seja porque lutavam para implantar um regime socialista que à época era idealizado como um sistema que promoveria justiça social, seja porque os militares reagiram desejando salvaguardar a ordem e combater o que imaginavam ser o cálice a ser afastado: o comunismo. Do seu ponto de vista, ambos estavam certos e ambos estavam errados. Nem o socialismo seria a solução nem a ditadura o era; equívoco pelo qual muitos pagaram com a vida. Mas, vamos convir: houve reparação apenas aos revoltosos que aderiram à luta armada mesmo tendo deixado vítimas civis e militares, muitos dos quais inocentes. A vida do soldado Kozel, bem como a de mateiros que foram barbaramente assassinados por guerrilheiros pelo simples fato de terem servido de guias aos militares cujas famílias jamais viram a cor de uma ínfima indenização, vale tanto quanto a vida de Herzog e de outras vítimas do regime militar. Mas não está na natureza do povo brasileiro ser belicoso. Queremos paz para prosseguir com o nosso crescimento, melhorar os índices de desenvolvimento que estão muito a desejar neste país governado há quase 20 anos por aqueles que reagiram à ditadura. Foquemos pois no que é importante neste momento: na Economia, na Educação e Saúde de melhor qualidade, Saneamento, Segurança, Habitação e Infraestrutura para todos, pois é disso que o Brasil precisa para fazer acontecer exatamente aquilo pelo que alegaram ter lutado, cada um a sua maneira, os protagonistas desse episódio da nossa história. Será então infinitamente mais construtivo que nos empenhemos hoje em trabalhar mais e melhor por um país justo e sem excluídos, combatendo sobretudo a corrupção, essa erva daninha que esgarça todo o tecido social, ao invés de acolher esse mal como parte do jogo banalizando a ética, flexibilizando de tal forma os princípios morais e democráticos, que fica difícil acreditar na honestidade de propósito destes que agora se arvoram donos da verdade e juízes da história. Deixem este país seguir seu rumo, sem revanchismo, pois é de ordem institucional que precisamos para perseguirmos a nossa vocação de grandeza. E, aqueles que estão no governo e alegam desejar um Brasil melhor, que façam tudo pelo povo e para o povo e não apenas atuem para permanecer no poder a qualquer custo. Se existe alguma verdade a ser apurada é a verdade de propósitos, quem de fato deseja o bem do país. E não se enganem: o povo brasileiro sabe exatamente quem é quem nessa história toda.
Eliana França Leme
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