segunda-feira, 23 de maio de 2011

A pressão dos piores: “Çim, Nóis Pódi”

Neil eu tô fora Ferreira

O cumpanhero Obrahma que nos desculpe pegar emprestado o slogan da sua vitoriosa campanha, “Yes We Can”, e traduzi-lo não para a lingua portuguesa que até há pouco se tentava ensinar, escrever e falar no Brasil, mas para a Novilíngua, segundo “1984”, de George Orwell, aqui aperfeiçoada e implantada nos últimos oito anos e quatro meses.

A minha tradução é para a nova lingua oficial a ser ensinada nas escolas, não sei ainda qual o nome dela, acho que é lullês.

O “Big Brother”, não o programa pornô da tevê Globo, mas o Grande Irmão, ditador eterno da Oceania, falava e obrigava o povo a pensar, escrever e falar obedecendo cegamente aos seus preceitos -- “guerra é paz”, “liberdade é escravidão”, “verdade é mentira”.

A essas três pedras de toque, a criatividade oficial aqui da Banânia acrescentou “errado é certo” e “corrupção é honestidade”.

Não apoiamos a nossa (in)cultura num simples tripé, mas num portentoso pentágono, copiado do Pentágono, o “ministério da Paz” lá da pátria do Obrahma, que brindou o cara com o apelido de “O Cara”.

A “última flor do Lácio inculta e bela”, como Bilac definiu a lingua portuguesa (“português” no Houaiss tem acento, “portuguesa” não tem mais ou nunca teve ? não sei, também jogo minhas pedrinhas na Geni ) recebeu um golpe quase fatal – foi estuprada na sala de aula, para demonstrar que “errado é certo”.

“Foi estuprada na sala de aula” é uma referência que só os mais velhos entenderão. Num dos famosos festivais de música do século passado, o cantor/compositor Sérgio Ricardo, impedido de apresentar sua canção pelas vaias ensurdecedoras da platéia, reagiu atirando seu violão no público vaiante.

Um jornal querendo acrescentar sal, pimenta e sacanagem à notícia, publicou a manchete que entrou para a história do jornalismo: “Violada na platéia !”, donde o meu “estuprada na sala de aula”, que repeti três vezes.

Na minha profissão, sou publicitário, “repetion is reputation”, quem sabe cola isso aí que falei, se até “quero fazer cocô na casa do Pedrrrinho” colou.

Refiro-me ao tal livro didático “Por uma vida melhor”, comprado, pago, impresso e distribuido às escolas oficiais, que “ensina” entre outras maravilhas que “os livros mais interessante estão emprestado” e “os menino pega o peixe”.

Ficou melhor a vida da autora, que vendeu 500 mil exemplares ao Mec do brimo Haddad, pagos com dinheiro dos impostos, nosso dinheiro, para ensinar a molecada a falar errado. Imagine a bela bolada que dá em direitos autorais

Como financiadores da obra-prima somos cúmplices do negocio ? negociata ? estelionato ? crime contra nossas crianças ? abuso do poder ? um passo em direção da “inclusão social”, pela aceitação dos não educados e desvalidos ?

“Ensina” acho que não é bem o termo. “Oficializa” o uso como correto dessas expressões e assemelhadas, seria afirmação mais precisa.

É a aceitação e o respeito à voz rouca das ruas, a voz do país dos “mais de 80%”, que fala dessa maneira “inculta e bela” a lingua que todos podemos falar, quem não sabe que é errado e quem pensa que está certo, e que elegeu por duas vezes um dos seus, que fala, bebe e come como eles.

Falar e escrever assim será o próximo passo de submissão completa e total, de rendição incondicional à pressão dos piores. Tá tudo dominado, como dizem em bão portugueis.

Como o professor de “Sociedade dos Poetas Mortos”, convido você a subir na mesa para mudar o ângulo de visão das coisas que nos cercam.

Essa aceitação e oficialização do “nóis vai” não significa a ascenção dos falantes incultos a uma nova “crasse mérdia” cultural. Significa, isso sim, mantê-los afundados na lama onde sempre viveram, usados como massa de manobra da atual zelite no poder, para lá permanecer para sempre – a atual zelite no poder e a massa na sua lama existencial, onde “os menino pega o peixe”.

Daí, a maioria desinformada por ser inculta como é, engole caprinamente o outro e mais importante enunciado: “corrupção é honestidade”.

A “Veja” mostrou quão abaixo de quaisquer suspeitas são os negócios milionários do suposto lobista Zé Dirceu, réu no STF como “chefe da quadrilha do mensalão”, alegadamente vazados pelo WikiLeaks da turma do mêrmão Paloffi, que supostamente quer derrubar a turma do Zé Dirceu, na minha modesta opinião ainda o “capitão do time”.

Não levou nem um dia com a “Veja” nas bancas e as manchetes dos jornais revelavam a última do mêrmão Paloffi. Sua firminha de “assessoria”, na aparência sem clientes, faturou a belezura de 6,6 milhões de reais, suficientes para comprar em dois pagamentos um apartamento de alto luxo, num prédio onde só o condomínio custa quase 4 mil contos. Quem vazou ? O WikiLeaks da turma do Dirceu, que quer ferrar o mêrmão Paloffi ?

A mídia dá a isso nome de “fogo amigo”, na minha terra o povão fala “eles que são brancos que se entendam”. Pois eu, como o FHC, “avec un pied a la cuisine”, desconfio que a dinheirama envolvida pelos negócios desses dois branquelos tem o odor do colchão da viúva, portanto grana minha e tua. E calamos o bico.

A inguinoranssa e a corrupa unida jamais será vencida
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