sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu prometo, por Marli Gonçalves

A eleição presidencial está na boca do povo. Nem sei como finalmente aquele torpor do primeiro turno passou. Vemos e ouvimos as pessoas conversando nas ruas, nas mesas dos bares, na internet, trocando ideias, brigando, querendo saber que bicho vai dar. Mas ainda não ouvi nenhum dos candidatos dizendo que registrou no cartório as suas promessas. Assim, por favor, candidatos, peguem a caneta e assinem aqui, uma espécie de plataforma básica, como um documento e compromisso em nome da população brasileira. Para acalmar todos os corações.


Eu prometo, antes de mais nada, voltar minha atenção não só para mim, ou meu grupo político, mas a toda a população e suas necessidades básicas há muito relegadas. As questões principais voltam a ser saneamento básico, educação, alimentação, saúde, habitação, transportes, lazer e qualidade de vida.

Eu prometo buscar o desenvolvimento por meio de ações que garantam condições dignas de sobrevivência aos homens, mulheres e crianças deste país. Não quero mais vê-los remexendo latas de lixo nas ruas, nem jogados como sacos descartáveis nas calçadas. Não quero ter medo de me aproximar de crianças, julgando que elas poderão estar armadas ou com caco de telha ou com caco de vidro. Ou loucas paranoicas cheirando colas dos saltos e solas que as chutam. Não quero vê-las fechadas em caixões de madeira de tapumes, nem em valas, mortas por inanição e subdesenvolvimento. Não quero que elas mal cheguem de um lado e desencarnem de outro, numa breve passagem pelo tempo. Não quero vê-las tristes e chorando de fome e barrigas d’água cheia de vermes - nem quebradas pelo crack nem com as mãos cortadas de trabalho, que talvez pensem ser um passo para o brinquedo que nunca alcançam em seus trapiches. Não quero ver seus co rpos mirrados sendo violentados.

Eu prometo cuidar de todos os tipos de cabeça do país. As cabeças chatas do Nordeste. Dos cabelos louros do Sul. As de todos os tipos do Sudeste. E a dos caboclos do Norte, com pena ou sem pena, caciques de suas aldeias ainda distantes. Das cabeças pensantes. Das cabeças modernas, coloridas. Das cabeças montadas em corpos de homens ou mulheres que querem ser ou homens ou mulheres, sem ter a parte de baixo para mostrar. Das cabeças brancas, grisalhas, de rostos enrugados e corpos alquebrados pela labuta, pela vida vivida nos limites. Eu prometo cuidar dos velhos quando mais eles precisam.

Eu prometo cuidar dos recursos naturais do país enquanto ainda é tempo, dispensando os discursos que, vazios de preservacionismo e repletos de interesses escusos, apenas impedem que o desenvolvimento e o progresso sejam de todos. Ao mesmo tempo, lutarei para que nossas belezas tropicais sejam exemplo para o mundo, continuem a oxigenar o ar e proteger as camadas da Terra das inclemências da natureza, que nos golpeia em lances-surpresa que buscarei prever melhor. E que nossos oceanos e rios possam ser navegados como dantes. E que nossas estradas façam o vaivém, sem tantas mortes.

Eu prometo que saberei perceber o que é qualidade de vida em cada canto dessa pátria, tão multifacetada, tão eclética, urbana e rural. Que saberei auxiliar na reorganização das grandes cidades, que abrigam e abrigaram os refugiados de longe, no êxodo de quem busca um local para morar, viver e morrer.

Eu prometo que me guiarei pelo bom senso e pelo sentido de liberdade mais amplo, preservando a enorme cultura e capacidade criativa do povo, acima de religiões, cores, raças, credos, cruzes, terreiros, templos, mesquitas e catedrais.

Eu prometo deixar nascer quem puder e quiser nascer, de quem puder parir e educar. E evitar que morram os que não estão na hora, dando-lhes a garantia necessária e medicamentos, os meios para que seus dias não sejam tormentos, e que encontrem em si próprios a razão de tudo.

Eu prometo buscar compreender tudo o que não sou eu, ou igual a mim, e respeitar ao próximo que me respeite e que siga as leis da nossa Constituição que poderei rever, sim, mas enxugando-a e tornando-a finalmente democrática e exequível. Não mudarei as regras e as placas do caminho.

Eu prometo respeitar os Poderes da República, como se fosse monarca com a sensatez dos contos de fadas, com destemor, amor, solene para quem o merecer. Insolente contra qualquer um que nos ultrajar aqui ou acolá de nosso continente. Qualquer tentativa de desestabilizar a alegria, a liberdade, os direitos e deveres, a paz e harmonia, será rechaçada firmemente. Porque assim deve ser. Tentarei estar sempre alinhado ao lado dos líderes, contra os ditadores, ainda que estes se mostrem camuflados. Escutarei os clamores das ruas.

Eu prometo atenção e sempre que possível prestigiar e apoiar o trabalho dos cientistas e intelectuais, mantendo-os entre nós. Assim como prometo não considerar o esporte, nem em Copa, nem em Olimpíadas, como arma populista, mas como o avanço de nossos guerreiros e marcas, orgulhos de nossas conquistas que serão muitas, em todos os campos da ciência, do futebol, nas raias das piscinas, e nas passarelas que desfilarão os tecidos das roupas do futuro, vindos da agricultura, que também alimentará grão a grão todos os seres vivos, que prometo respeitar, incluindo os cães e gatos, toda a flora e toda a fauna, todos os troncos que puderem ser usados de uma célula e os transplantes que garantirão a continuidade da vida.

Enfim, eu prometo proteger os seus como se fossem meus filhos, membros de minha família, dando-lhes um chão firme para pisar, ensinando a pescar e a entender que os efeitos de ação e reação serão sempre compatíveis. Que somos nós que fazemos a legitimidade das leis, da ordem social.

Eu prometo fazer do Brasil a terra sempre prometida e nunca entregue, para que os mais modernos satélites do mundo possam acompanhar seu crescimento sustentado, e que esse seja um exemplo. Eu prometo meditar bem antes de qualquer decisão.

Eu não só prometo, como farei cumprir o exposto acima porque é o que todos nós queremos.

Atesto e dou a fé, a minha fé e a de cada um que poderá participar.

BRASIL, (ESPAÇO PARA A ASSINATURA), 2010


(*) Marli Gonçalves é jornalista. Marli Gonçalves, jornalista. Sempre quis escrever um documento verdadeiramente nacional. Que, pelo menos, posso eu própria assinar. Você também.


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