segunda-feira, 31 de maio de 2010

Acorda, Brasil! por Marli Gonçalves

Vamos ouvir muito Brasil por aí nos próximos meses. E nos próximos dias os verdes e os amarelos já se unirão numa sintonia de sons, luzes, cores, gritos, huhhhhs, mãos no peito, Hino Nacional. É também o aviso de que é chegada a hora de entender que somos uma Nação e que só vamos fazer algum gol, se oposição houver, se a oposição se entender. O tempo está passando. Não queremos prorrogação.




Só um tapinha não dói. O refrão da música martela a cabeça todos os dias quando acabo de ler os jornais, especialmente a parte política, poder, Brasil. Porque a vontade que emerge, na verdade, é a de sair esbofeteando essa turma toda, o outro lado deste que está comandando, cheio de cartas na mão e na manga. Dá vontade de chacoalhar a chamada oposição, que não blefa, não truca, não desafia. Oposição igual objeção. Oposição igual a contraste entre coisas comparáveis. Oposição é diferença. É disparidade, estado constante de luta. Será que se esqueceram de tudo isso?



Preferem ficar batendo cabeça, chupando pirulito em cima do muro? Por que não acreditam em suas próprias palavras, algumas sábias, que apontam a contraposição como importante, e se contrapõem? Não vamos brincar de FLA-FLU, senão viraremos é pipoca moderna estourando no micro-ondas deles, dos que estão nas paradas de sucesso de todas as mídias, com anúncios e investimentos redentores, e organização de exércitos, de hordas. Inclusive virtuais, e abastecidas com o papo de luta de classes, de vale-tudo, de você-vai-ganhar-alguma-coisa-com-isso, o petróleo vai jorrar na sua casa.



Desçam dos saltos, dos galhos das árvores, floresçam verdes do chão e amadureçam para a vida. Chega de trololó, de tititi, de blábláblá. Que papo é esse de lavadeira pública de roupa suja, aos berros, de ideia fixa, esse atraso de vida? Essa descrença? Estão entregando o jogo, medrosos. Formem logo os pares e entrem no arraial, que chegou a época boa para isso. Buscapé no traseiro deles. Quentão - vai que nesse pau de sebo dá para subir. O prêmio lá em cima, somos nós, a tal Nação. Não dá para entrar em outra aventura, em outra fria, e lembrem que esta que está aí não é nem tão colorida e jovem ou promissora como aquele outro era. Se fosse alguém mais preparado, um quadro reconhecido, a coisa seria outra. Mas não é.



Não temos mais tempo de jogo - será preciso fazer e acontecer com essa Seleção que já está aí, mesmo que de times tão diferentes entre si, se entrose, cada qual na sua posição, vá para a frente, foque o gol. Com a arte, com a alegria, com paixão. Com a inteligência, que esta existe é para ser usada, plantada, além dos livros. Com alguma dose de patriotismo.



Está faltando mais paixão. A pesquisa que mostra que praticamente metade da população é contra o voto obrigatório grita na cabeça. Militantes querem votar. Cidadãos comuns, maioria, não andam querendo, não! Sem faca no pescoço, sem multa? Ah, precisa querer, precisa gostar, precisa já ter entendido todo o sistema. Do jeito que a coisa está tudo parece igual, do mesmo prato, com a mesma insipidez. Nem ideias malucas aparecem mais! Não há arrojo nas propostas. Tudo a mesma margarina sem sal. A gente tem fome. A gente não quer só comida. A gente quer comer e fazer o amor.



Reparem que mudanças aparecem, são mostradas. E compreendidas pela outra ponta da informação de várias maneiras, segundo cada olhar. Podem ser positivas as avaliações. Mudem. Reforcem-nas também no meio de campo. E se o trem está passando e o menino não subiu, por favor, rumem logo para outra estação. Nada de ficar lamentando nas estações de rádio e tevê. Nada de atrasar o voo para outras paragens.



De última hora, sempre tem corre-corre. Não deixem chegar na morte súbita. Faz tempo que o negócio devia ter engrenado e não aconteceu, envolto em outras polêmicas. Várias chances de gol perdidas; alguns aqui e ali, perfeitos xeques-mate, cartão vermelho, aproveitamento total. Mas deu trave, ou a bola foi jogada para cima. Quantos escanteios conseguimos! E os escanteados todos aí, agora, com a bola quicando nos nossos calcanhares, tirando pelo da nossa cara.



Ainda dá tempo. Sim, temos um campeonato agora, dos bons, além do Mundial. Não estou gostando nada de ouvir um monte de gente falar que vai torcer pela Argentina só para ver o Maradona pelado dando a volta no Obelisco. Muito menos gostando de ver essa gente pensando que Ela é Ele.



Ela é um ser que mistura barba, cabelo e bigode. E que está gostando da tabelinha. Até ficando bonitinha.



São Paulo, semana curta, mas cheia de possibilidades e diversidade.




Marli Gonçalves é jornalista. Nós, jornalistas, sofremos muitas vezes de um dilema sério na hora de produzir. Igual ao coitado do goleiro na hora do pênalti. Temos uma responsabilidade enorme nas mãos, canhão carregado, frases lançadas. As flechas atiradas sempre desagradam alguém. Puxam a orelha de alguém. As bolas entram por tudo quanto é lado.



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