domingo, 4 de abril de 2010

Amor mata e morre, por Marli Gonçalves


A foto da jovem bela terrorista suicida que se amarrou a bombas para matar gente em Moscou me fez pensar nas diferentes medidas e desmedidas do amor. Os olhos brilhavam. Ela estava feliz. Terá se sacrificado por obrigação ou por amor?


As pessoas se sacrificam por amor ou por obrigação? Qual a diferença entre alguém que passa a vida inteira de sofrimentos e humilhações ao lado de um homem, muitas vezes aterrorizada para que a sociedade dela não caçoe? Ou mesmo em troca de alguns trocados de sobrevivência, vis, mesmo que generosos?

Imaginem a menina numa vila do Cazaquistão conhecendo o moreno idealista, militante e mais velho. Não há burca que resista. Romance para ficcionista nenhum botar defeito, ponho erotismo nisso e os vejo transando apressadamente em lugares escuros, com cheiros exóticos, ao ar livre, entre juras de fidelidade entre si e a Alá. Não deve haver tanto recato entre os militantes, assim como sempre imaginei que deve ter rolado muita coisa boa nas camas das células clandestinas aqui no Brasil.

Para a menina, aquilo era a vida. E a vida acabou quando mataram seu homem. Como ela acreditava - como um Romeu e Julieta - quis morrer também, para quem sabe alcançar de novo os prazeres dos cantos escuros. Ao lado de uma amiga, viúvas negras - naquele dia elas se vestiram cuidadosamente para entrar no metr�?. Os cintos carregados apertavam seus ventres e cinturas, que voariam pelos ares com hora marcada. Terão rezado? Quais foram as últimas palavras?

Há quem morra por amor, sempre mais bonito do que quem por ele mata. Este em geral, apenas um egoísta. Há também quem viva por ele, e esses costumam ser tão idealistas quanto as mulheres-bomba. Todos nós conhecemos alguém assim; amores plat�?nicos idealizados com tanta força quanto o da menina do Cazaquistão. As freiras também são mulheres dedicadas a um amor só, muitas vezes após um só amor, realizado ou frustrado. Clausura.

Penso que o amor deva ser para fazer viver. Para acordar e ouvir seu som, seu nome, mesmo que ele pedaço por pedaço dure pouco. Há um só amor na vida de cada um. O que muda são as vidas. E o que nós vamos aperfeiçoando com o passar do tempo, para o quê se dá importância, o que se espera e o que nem se espera mais, para não cansar. Mesmo em relações variadas o que se procura é o mix, o blended. Todas nós temos um Frankenstein imaginário. Vamos montando e desmontando eles durante nossa vida, cientistas, malucas.

O Frankenstein modelo básico já é irreal: um homem bom, carinhoso, bom papo, companheiro, com alguma posse, nem que seja apenas de caráter. Os modelos com acessórios destacáveis também precisam ser fabricados em laboratórios sofisticados. O exemplo do brinquedo Lego também dá boa imagem e margem para nossos delírios. Pega um bonequinho, põe uma roupa de bombeiro. Luma!

No outro bonequinho, quem sabe, uma pontinha. Perfume atrás da orelha. Mulheres gostam de homens perfumados, com frescor. Tem também o modelo “ouvinte”, que te escuta, com atenção e interesse. Quem quiser ganhar dinheiro faz a versão completa, tamanho natural, que já vem com gravações especiais: “Você está linda hoje!”. “Você está bem?” . “Como foi seu dia?” .

O amor é inexplicável, e nisso reside sua aura, sua fantasia. O que justificaria um amor à primeira vista? Ou um amor que já dure 30 anos, sem possessão, com distâncias só às vezes vencidas? Amor é admiração. É orgulho pelo feito do outro. Não é a pessoa que se submete, mas seu coração palpitante e incontrolável. Mesmo que por um minuto vale a pena amar e, portanto, a ideia de que o amor é seu. É você quem faz.

Amor não é só poesia. Pode ser política, matemática, física e química. Pode ser explosivo. Ou te ajudar a respirar.

São Paulo, meados de abril, 2010.


· Marli Gonçalves é jornalista.. Poucas e boas; muitas e péssimas formas de amar. Namoros de passeatas, de prisões, de shows, de galerias, de arte, de viagens e de realidade. ;



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