segunda-feira, 15 de março de 2010

Momentos de Decisão, por Marli Gonçalves


Fica aquela nuvenzinha ali em cima da gente, garoinha, pentelha, uma pressão, bigorna, espada de ponta fina. No cartum do Glauco seriam pequenas seringas apontadas como flechas correndo atrás de nós. Eles, os tais momentos, vêm, esperam qual será a sua, e vão, até retornarem, mais e mais, cada vez mais desafiadores.


É a vida. É a vida. Sinucas de bico, gíria que demorei a entender. Parece que você está decidindo, mas não, está sendo é levemente induzido a seguir, como se uma mão invisível o empurrasse; às vezes, docemente. Mas muitas vezes mão pesada, vai ou racha. Tem de ser assim, e ponto.

Dá-se o nome de Destino. Pode ser como um quebra-mola de estrada. Se você passar correndo, se estoura. Esse destino sobre o qual quem joga tarô sempre é claro em dizer – tudo pode mudar e as próprias palavras e previsões abrangem o período de seis meses. Somos senhores? Ou somos apenas marionetes, escravos?

O famoso “se eu não fui, acho que devia ter ido”, ou para que “eu fui falar?”, que dá vontade de entupir a própria boca com pregos de arrependimento. Empurrar com a barriga não costuma ser a melhor pedida. Está ali o impasse e só você pode botar a roda no fogo. Que poder temos de mudar o nosso caminho! Somos como ciclones: sempre levamos nosso redor junto. Pode ser uma avalanche.

Muitas vezes daí advém frustrações, como os cursos não completados, os regimes fracassados, os arrependimentos, os casamentos, ah, os casamentos! A separação que um dia se dá vem de um lado; o outro é obrigado a embarcar, quase coisa coercitiva. Momentos que parecem ainda com aqueles esportes de parceria, onde um passa o bastão para outro. Ou lhe dá um leve safanão.

Não, esta não é uma conversa improvável. Talvez, mais difícil, da qual você sempre tente escapar, mas que zune na orelha e traz certo desassossego.

Descobri, vivendo essa vida, que talvez a gente precise programar esses momentos de decisão, de partir, de voltar, de encerrar, de pausar. Mentalmente, primeiro, tentando fugir das falsas expectativas. Fazendo uma espécie de check-in interno. Que armas necessitarei e quanto de energia dispensarei? Quais alimentos? Quais apoios? Uma espécie de treino de sobrevivência.

Em comunicação há um exercício parecido, chamado swot. Um risco no papel separa as oportunidades, das vantagens e desvantagens, das probabilidades. Resumindo, duas colunas, do bem e do mal. Dá para aplicar em tudo, desde que você exercite livremente todo o seu otimismo e todo o seu pessimismo, para dar a margem de realidade que vem. Sempre vem.

Tenho acompanhado decisões importantes de pessoas próximas. Desde se diminuir, começar de novo, para crescer forte; de largar o consolidado para buscar um sonho, até o apagar sua própria estrela para ver brilhar a do próximo. Vejo gente enfrentando bravamente o marasmo de suas próprias famílias, alguns com atitudes que as levam a serem pessoas prontas a se atirarem ou serem atiradas pelas janelas. Para a morte, ou como aviõezinhos de papel aerodinâmicos.

Acabei descobrindo na minha natureza quantos momentos destes passei, superei. Ou sem perceber, ou perdendo pedaços de mim. Alguns deles programei instintivamente. Outros foram os tais rios que passam na vida, poéticos. De alguns só lembro-me do vento que fizeram.

Não é assunto para a gente falar diretamente, olhos nos olhos. É coisa de primeiro interiorizar e meditar. Conversar só com quem temos confiança, esses seres raros. Sei que estou falando o que você entende, porque no ano passado quando lancei a colheita de sentimentos, o e-mail colheitadesentimentos@gmail.com, foi o que colhi de leitores de todo o país. A dúvida de para qual lado correr. A insegurança. A solidão. A decepção. E a consciência de que é preciso mudar. Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar.

Estou bem no meio de um desses momentos, depois de tentar de todas as formas sobrepujá-lo. Vou para a faca essa semana, em uma cirurgia que me deixará um tempo em estaleiro, e quando precisarei enfrentar a ida, a recuperação e a volta. É minha primeira vez “programada” nessa área, o que os médicos chamam de cirurgia eletiva. Das outras vezes que estive em hospitais, eram urgências. Nunca botei peito, nem tirei gordura, pelo menos ainda, porque até a coragem aumenta quando a gente amadurece. Nas eletivas, você sabe que tem de fazer. Pode até esperar um pouco, mas o sofrimento e a dor esperam juntos. Então, parafraseando a rainha de Alice: cortem-se as cabeças! No meu caso, a do fêmur direito.

Já arrumei minha malinha mental, com livros e vontades. Em modelão não dá para pensar porque certamente será aquela camisola engraçada, aberta atrás. O maior mico, como me disse o Luiz Fernando Guimarães quando lhe perguntei como tinha sido a sua cirurgia, parecida com a que vou fazer. Depois da resposta dele, consegui sorrir diante do problema que vou tentar detonar. Decididamente.

Seria bom se pudéssemos fazer essas aplicações na nossa vida prática, e nas áreas políticas, éticas e sociais. Momentos de decisão são feitos para girar o mundo aos nossos pés.

São Paulo nas águas de março, e vontade de dançar o rebolation




Marli Gonçalves, jornalista. Ganhei milhares de amigos em tudo quanto é cantinho, gente de tudo quanto é tipo que se acostumou a ler minhas coisinhas. A cada semana parece que me dedico a um grupo deles. Há os que gostam quando lasco na política. Há os que amam minha defesa da condição da mulher, e da mulher solteira, sem filhos. Tem os que curtem quando a pimenta é mais ardida, provocativa. Mas tem uma coisa que para todos é igual: eu sou como você; e penso alto.



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