sábado, 26 de dezembro de 2009

Dedurar é sanear

01/12/2009


Não acredito que toda a classe de funcionários públicos, concursados ou não, seja conivente com a corrupção sistêmica que tomou conta do Brasil. Não quero crer que todos endossem e também pratiquem os atos escabrosos cometidos por muitos de seus superiores e que só chegam ao nosso conhecimento em doses homeopáticas, porque o volume de irregularidades e desmandos deve ter muito maior do que aquele denunciado e publicado.

O mesmo vale para a classe política. Não quero crer que todos os politicos sejam venais e que só tenham a intenção de usar de seus cargos para enriquecimento ilícito e fácil. Tem que existir os idealistas, os que perseguem propósitos para o bem do país. Será que o espírito corporativista chega a ser maior do que seus ideais impedindo-os de apontar os fautores ? Há que denunciar os que se infiltraram no meio politico só por objetivos egoistas e escusos. E porque isso não acontece? Talvez porque dedurar seja considerado um ato de traição em nossa cultura.

Mas neste caso, traição maior é não dedurar, é omitir-se à denúncia, é deixar a pátria entregue nas mãos de bandidos amorais que escoam parte de nossa riqueza para dentro de seus bolsos, meias e cuecas...e que ainda são capazes de negar na maior caradura as imagens veiculadas pelas emissoras de TV. O recheio de cuecas não é novo, foi inventado já no primeiro mensalão, mas como a impunidade dos acusados foi garantida atraves da imunidade parlamentar, a prática prosperou até hoje. Serviu até de incentivo.

Portanto, dedurar é preciso, dedurar é profilático num país doente pela corrupção institucionalizada, até porque a PL da Ficha-Limpa para candidatos a cargos políticos parece estar enfrentado uma verdadeira Operação Tartaruga por parte dos parlamentares. Afinal, aprová-la significa advogar contra si mesmos...
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