segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Menas, Lula, menas! Marli Gonçalves

("menas" - Com que roupa eu vou?- jpsdbrs.blogspot.com)

Deixa Jesus fora disso, cara. Já vi gente justificando (ou tentando) o injustificável. Mas agora o caro presidente passou outra vez dos limites e fez bobagem. Misturou e falou de política e religião, e, pior, usando como exemplo de suas próprias lambanças. Só faltou adicionar futebol.

Marli Gonçalves
Menos do que bomba em supositório, decerto. Mas há assuntos que tocam sensíveis bombas-relógio dormentes dentro da gente, e isso envolve o bem e o mal, as convicções e crenças. Tudo muito na flor da pele, emocional, irracional.

Se ele fosse uma criança diríamos que fez uma meleca. Mas não é, e então tem outro nome o que fez – bem mais plebeu. Há misturas muito indesejáveis, mais do que manga com leite e sapatos pretos com meias brancas. Como Lula-Collor, Lula-Maluf, Lula-Sarney, Lula-Ahmadinejad. A pior da temporada foi Lula-religião-Jesus-Judas-fariseus.

Chavão ou não: na Ordem do Dia da conveniência e da convenção social humana é regra. Uma conversa, se assim for, e para ser mantida em paz, deve manter distância de Religião, Política, Futebol. Ultimamente essa lista tem aumentado um pouco com dicotomias como Serra-Dilma, homossexual-heterossexual, pró ou antiaborto, fumante ou não-fumante. Mas tudo isso, bem ou mal, passa pelos mesmos temas.

Busque, presidente, nos macacos, as suas justificativas, em como eles imitam gestos de outros. Busque entre as formigas e sua cega devoção à liderança; entre os carneiros ou entre os bois prontos para o abate. Entre os mercadores nas feiras; ou entre os criminosos explicando suas alianças que vão até o nível do insuportável, enquanto interessam. Mas deixe Jesus de lado.

Vivemos tempos difíceis, de intolerância, preconceito e violência, religiosa, carnal, sexual, racista. Apenas a quem os promove interessa que os ânimos se acirrem, a ninguém mais. Lula, o senhor está que nem um num sei quem, que acende uma vela para um, queimando o filme do outro. E o que a gente não gosta é que parece ser muito de propósito, provocação. Com disfarce de deslize, de espontaneidade, de candura.

A visita do pentelho do Irã, por exemplo, não é como disse - senhor presidente - um problema do povo judeu. Nem o pentelho de nome difícil vai dar nada de graça para ninguém ou resolver a situação do povo dos morros, muito menos dos alagados, afogados, dos embarcados nas naus de horrores. E a esses, pouco interessa se é o celerado chapado da Coréia do Norte ou o pequeno narigudo. Aqui eles viram piada.

Não queremos abrir a porta de casa para esse maluco! Será difícil entender isso? Cuidado, bater de frente com alguns grupos de elite, e a comunidade judaica é uma delas, pode te custar 2010 dinheiros. Assim como bater contra a comunidade gay, cor de rosa, afrodescendente, negra, indígena, vermelhos. Acho que nem os orientais, amarelos, querem o indesejado do Irã por aqui. Porque ele promove a morte e a intolerância, o preconceito que divide as cores do mundo.

Mais um mês chega e bem religioso. Por que todos não celebram juntos? Em São Paulo haverá a habitual maior manifestação cristã do mundo, a Marcha para Jesus. Tipo cinco milhões de pessoas devem passar por um percurso de quilômetros em caminhadas de um dia de atividades e glória, alegria, música e congraçamento. Legal é o que deve aparecer de gente da Política, da Religião e do Futebol para tirar uma casquinha!

No outro oposto da cidade, a missa do Padre Marcelo deve atrair outro milhão pela fé católica. No final de semana anterior, os centros de umbanda e candomblé já terão festejado os seus mortos, dando-lhes passagem de mundo a mundo, assim como os espíritas, promovendo curas e encontros entre mundos. Perto de tudo, as pílulas de sabedoria do Seicho-no-ie; as elevações espirituais dos templos budistas. São incontáveis, centenas, milhares, milhões de pensamentos, crenças, dogmas. Num mesmo território, com ateus, magos, astrólogos, curandeiros. Se alguém neles acredita, é porque para esse alguém deu certo. Fez bem. Em um momento de desespero e de descrença já vi transformações. Médicos recorrendo a operações espirituais. Advogados de renome recorrendo às cartas, cristais, florais. Famílias se reconstruindo em torno de uma cura, de uma palavra que os transforme. Há tanta coisa entre o céu e a Terra! Benza-me, Deus!

Todos devem viver e promover a paz. E apenas esses devem ser referendados.Mas o Lula, infelizmente, não é o único, não, a apenas respeitar diversidades que lhe interessam, quando interessam. Ideologias e (in) fidelidades vêm sendo postas em ventiladores e sopradas, até para que não deixem o cheiro de seus rastros.

Não. Jesus não se aliou, e nem o faria hoje. Ele reunia as pessoas em seu entorno. Judas foi o aliado que o traiu. Jesus pensou só na união. Talvez soubesse o que ocorreria, senhor de seus próprios caminhos, quis deixar esse sinal, até para que não se repetisse.

Será que o Lula pensou nisso? Que o exemplo que Ele deu pode voltar a ocorrer? Está na mesa dos 13.
São Paulo, 2009 D.C.

Marli Gonçalves é jornalista. Quando junta as mãos e olha para os céus, clama: Oh, Deus, conservai e ampliai os mínimos instantes de paz e serenidade que sentimos! Oriente essa gente!
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