segunda-feira, 30 de março de 2009

TRANSPARÊNCIA

Transparência – publicada no Estadão em 30/03/09

Em sua coluna Um Parlamento na voz passiva (29/3, A6), a jornalista Dora Kramer aponta os desmandos do Congresso Nacional. Faltou dizer que, além da voz passiva, os atos dependem da condição "se" interessar, tudo é votado a toque de caixa, desde os tempos de dom Pedro, quando as eleições eram financiadas pelo grande capital. Na época, eram os fazendeiros, hoje são as empreiteiras, os banqueiros nacionais e internacionais, as grandes indústrias e os narcotraficantes que fazem doações a todos os partidos na certeza de que permanecerão ao lado do vencedor. Ocorre que o partido vencedor ganha o cargo, mas perde a liberdade para exercê-lo, tendo de dar satisfações aos doadores. Não seria mais honesta e transparente a identificação dos doadores? Muito se fala em reforma política, mas quando esse mesmo Parlamento, corroído feito um queijo suíço, vai se levantar em nome da honra e exigir que essa sujeira trazida por doações de campanhas seja moralizada? Para que não fique em acusações de defesas o tempo todo e não se alegue a existência do caixa 2 - um instrumento conhecido como "coisa de bandido", segundo Marcio Thomaz Bastos -, já passou da hora de mudar o sistema perverso das eleições brasileiras. Basta o Parlamento legislar, ou seja, fazer aquilo para o que foi eleito.
Izabel Avallone
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