quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O MST E A VOLUPIA DO PODER!

(foto de Keiny Andrade/AE)


Ninguém precisa ser economista para saber o importante papel do agronegócio para as exportações brasileiras e sua presença no Produto Interno Bruto (PIB). Sabemos também que o Brasil é o maior produtor de suco concentrado de laranja, seguido pelo estado da Flórida (EUA), cuja safra este ano poderá apresentar recuo, segundo informação constante do Valor Econômico de 06/08/2009 e por isso os preços tiveram acréscimo no mercado, naquela semana.
Embora as exportações de suco de laranja concentrados devam cair 25% em receita e 14,8% em volume em 2009, comparando-se ao mesmo período de 2008, segundo notícias veículadas pela Agência Estado, em 16/9, o presidente executivo da Citrus BR, Chritian Lohbauer, entidade criada pelos quatro maiores produtores de suco do país (Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfys Commodities), responsáveis por 98% do suco brasileiro exportado, afirma que essa queda se deveu, entre outros fatores à redução do consumo e aumento dos estoques, mas acredita que passado este período difícil, o mercado deva voltar a um patamar melhor, tendo em vista a retomada do consumo e a redução de estoques, a partir de 2010/11.
Estas informações, por si só, já são motivo de orgulho para o Brasil, e porque não dizer, motivo de elevação da autoestima de seu povo que, a despeito de impostos extorsivos, continua a trabalhar e produzir para o desenvolvimento do país e para colocá-lo num patamar de primeiro mundo, muito mais do que sediar uma Copa do Mundo ou Olimpíada. Passamos de devedores a credores do FMI: muito chique, por sinal!
Portanto, à vista da bárbarie mostrada ao vivo e a cores nesta terça~feira, 06/10/2009, de vândalos pertencentes ao Movimento dos Sem Terra, vulgo MST, que sequer tem personalidade jurídica, porém que recebem vultosos aportes do governo federal, além de outros benefícios, quais sejam bolsa-família, cestas básicas e etc., além de revoltada, enojada, senti muita tristeza, e as lágrimas, involuntariamente, rolaram pelas minhas faces. Foram sete mil pés de laranjas, arrancados com trator por essa massa de manobra, de uma fazenda no interior de S.Paulo, pertencente ao Grupo Cutrale, que tem a posse legal dessa terra produtiva, embora o coordenador do MST, em nota oficial, justificasse a ação como sendo forma de denunciar a irregularidade que a empresa (Cutrale) faz, por usar terras da União, em sua concepção. Estarrecedora também foi a afirmação - cínica, diga-se de passagem - feita de que "precisavam" arrancar as laranjeiras para plantar feijão "trocamos a laranja, que vai para o exterior, por alimento para acampados". A fazenda na região de Bauru, foi invadida no final de setembro, os colonos foram expulsos, sem sequer terem chance de tirar seus pertences; suas casas foram vandalizadas e, naturalmente, perderam seu ganha-pão. Fora o roubo de um caminhão-baú, contendo caixas de laranjas a granel, ferramentas e uniformes, apreendido na madrugada de 06/10, na Rodovia Castelo Branco - qual seria o destino e a finalidade de tal roubo?!
De acordo com as notícias, em S.Paulo existem muitas outras fazendas na mesma situação, além de outros tantos pontos no país. Pergunta que não quer calar: essas invasões, depredações, roubos, não seriam já um prenúncio da guerra suja que nos aguarda para as próximas eleições? Não teria o presidente da República - de forma irresponsável e leviana - dado seu aval para a desobediência civil, estimulando esses bandoleiros, quando informou que pretende alterar para mais os índices de produtividade, dos produtores rurais, sob pena de desapropriação das áreas, para fins de reforma agrária, se estas não atingirem o teto estipulado?
O que tem a declarar aquele que se jactou de o Brasil atingir estágio de país de primeiro mundo ao vencer Estados Unidos, Japão e Espanha na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, face a este cenário de século passado? Francamente, isto é um contrassenso! Pobre país este, deitado em berço esplêndido e aprisionado alí pela volúpia do poder!

Aparecida Dileide Gaziolla
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