sábado, 3 de outubro de 2009

A Olimpíada de 2016 e as minhas pulguinhas!

Com efeito, conseguir ser sede de evento como uma Copa do Mundo ou Olimpíada é emocionante. Difícil conter emoção: as lágrimas rolam, sem controle, naturalmente! Posso afirmar, pois sou emotiva por natureza: choro até em inauguração de supermercado! Não dá para segurar!

Por que será, então, que ontem,02/10/2009, à vista daquela festança toda do anúncio do Brasil (Rio) como sede da Olimpíada de 2016, não consegui sequer verter uma lágrima, e ... confesso não senti absolutamente nada?

Por que será que, não consigo ver - e acreditar - como todos estão a afirmar, na emoção e lágrimas do presidente? Confesso: esperava ver a emoção desandar em lágrimas no momento do anúncio, quando todos se confraternizavam, o presidente rodeado por aquelas pessoas, e não vi e ele mesmo confessou isso em entrevista na manhã de sábado (03/10) em Copenhague, que controlou as lágrimas, só "relaxando" no momento da entrevista coletiva (quando ele era o primeiro plano, das câmaras!). Por que tenho que ser assim... tão desconfiada, descrente?

Assisti, de cabo a rabo, a transmissão do evento até a entrevista coletiva, após o anúncio: no pronunciamento do sr. Carlos Nuzman (presidente do COB), com a câmara focalizando ele e o presidente. Mais do que ouvir o sr. Nuzman tecer loas à campanha do Rio, ao presidente, ao governador do estado e outros, eu observava o presidente: controlado, cofiando ora a barba, ora o bigode, a barba... o bigode... ora tomando água, com expressão ... diria até matreira (maldades, à parte!) como a esperar o momento oportuno para sua atuação! E eis que de repente, sem lágrimas ainda, saca do bolso um lenço e o espreme nos olhos, de forma que sua face ficou afogueada, quase roxa: igual "aquilo roxo" do atual grande amigo de infância! Em dado momento de seu discurso o presidente do COB, parou e tascou um beijo na face do choroso presidente que era carinhosamente afagado nas costas, pelo governador do Rio. Tudo isso transmitido a 1 bilhão de pessoas, segundo o noticiário. Ainda assim a comoção geral não me atingiu, muito pelo contrário. O que nesse momento me passou pela mente foi uma cena chocante, que vi numa reportagem sobre o mundo animal: ataque de predadores (bando de hienas) a um potente, mas indefeso animal (búfalo) por estar preso num pântano, sendo estraçalhado vivo! O olhar do búfalo, quase terno, era comovente e as hienas rindo e se refestelando. Essa imagem me fez pensar no país, carente de EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA; nos aposentados do INSS jogados às traças; nas vítimas de acidentes aéreos porque os inquéritos não "descobriram" culpados, e tantos outros males que nos agoniam. Penso que preciso de algum discípulo de Freud (o austríaco, não o brasileiro funcionário do Planalto) para explicar essa minha visão macabra... enquanto todos se rejubilam freneticamente!

A performance chegou ao auge no discurso do presidente, quase gaiato pedindo desculpas aos outros concorrentes pela sua vitória... opa: vitória do Brasil, conforme suas "humildes", mas estudadas palavras! E como sempre arrancando gargalhadas da platéia, como o fazia nos botecos do entorno do Sindicato em S.Bernardo! Talento incrível, não há como negar! Todos estavam tão hipnotizados por essa atuação, que até passou desapercebido o machismo implícito na afirmação que S.Exª. fez de que ganharia a "parada", se o Presidente dos EUA, não fosse ao evento, deixando-se representar por sua mulher Michelle.

O que faz com que minhas pulguinhas - aquelas que estão atrás das minhas orelhas - se agitem, não são as palavras proferidas, mas aquelas das entrelinhas, quando S.Exª. diz que as verbas para a maior festa que o mundo verá, já estão previstas, mas deixando subentendido que poderá haver muito mais.... (ai nosso bolso!); que haverá fiscalização rigorosa das obras (ai... Jesus!); que a palavra de ordem é "TRABALHAR, TRABALHAR, TRABALHAR": agora é que o aerolula não vai estacionar em Brasília, mesmo!

É ... o Brasil, com efeito, é o país do futuro! Futuro do pré-sal, da Copa do Mundo, das Olimpíadas e da famiglia Silva (italiana também...), das famíglias Sarney, Calheiros, Barbalho, Cabral, Paes, e tantas outras, além de empreiteiras - estas babando de prazer - grudadas nas tetas dessa vaca de úberes fartos, que é o erário público! E o público pagante? Que se lixe, oras....



Aparecida Dileide Gaziolla - brasileira inconformada e descrente de "tudo isso que está rolando pelo País do Futuro!"
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