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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

SEM-TERRA SÃO GRANDES DESMATADORES SIM!

Por Gabriel Bertran

No dia 16 de Março deste ano eu havia escrito, aqui neste mesmo espaço, sobre o fato dos sem-terra serem grandes desmatadores, járesponsáveis por mais de 15% do desaparecimento da (não sei atéquando) maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica.Pois bem, observem o que dizem as manchetes que estão nos jornais etelevisões desde ontem (30 de Novembro): simplesmente os seisprimeiros lugares entre os grandes desmatadores são de assentamentosdo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Sãonúmeros incontestáveis, que nem perderei tempo em citá-los (leia naíntegra, uma excelente matéria do jornal O Estado de São Paulo de hoje, no link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081001/). Tais números estão até causando cada vez mais sustos no novo ministrodo Meio Ambiente, Carlos Minc.Agora, sem dúvida, um outro e sério susto deve ter tomado o ministroMinc - e, de resto, toda a sociedade brasileira - ante a declaração dopresidente do Incra, Rolf Hackbart, sobre a responsabilidade do órgãonessa devastação. Para o sr. Hackbart, a notícia da devastação nosassentamentos do Incra "vai servir para ataques à reforma agrária".Quer dizer, para ele os crimes ambientais praticados em área sob suajurisdição devem ser escondidos, para que não sirvam de pretexto aataques à "reforma agrária"! Então, em nome da "reforma agrária"desprezem-se a lei, a preservação do meio ambiente e o que mais que selhe anteponha.São atitudes bem típicas deste (des)governo com viés um tantoanti-democrático: as mentiras que enaltecem suas parcas ações, como amentira dos imensos depósitos de petróleo no pré-sal são propagadas àexaustão na grande mídia. Já as verdades que mostram a inação e faltade respeito deste (des)governo com "eççe paíz" precisam serrapidamente escondidas, como quer o sr. Rolf Hackbart. E assimseguimos... mas não podemos deixar estas questões impunes.O desrespeito ao meio-ambiente, como eu havia mencionado no artigo demarço, coloca na mesma "vala comum" tanto os grandes latifundiáriosquanto os "pobres" sem-terra (que tanto combatem o agronegócio). Ambosdesmatam sem pudor e sem critério.Falando em critério, é preciso, mais que urgentemente, revisar estecritério, aliás, esta mentalidade mais que antiquada, da"colonização", que o próprio nome do Incra sustenta. Desde odescobrimento do Brasil esta "colonização" é sinônimo de supressão dasflorestas, como se elas para nada servissem. Isso na maoria das vezesé feito com muito fogo, o que coloca, atualmente, o Brasil na quartaposição MUNDIAL entre os maiores emissores de CO2. E não precisamosmais disso. Está mais que provado que a floresta vale mais, para onosso planeta, em pé, com sua biodiversidade preservada, do quedestruída. Mas sempre prevalece o imediatismo, até super-utilizado por políticoslocais corruptos, que estimulam o desmatamento em nome do "emprego",do "combate à fome". Mas tal política revela-se tão suicida que, emmuitos municípios do Sul do Pará, onde quase não existe mais floresta,a única coisa que resta é subdesenvolvimento, crime, tráfico dedrogas, prostituição infantil; enfim, tudo o que de mais degradante ahumanidade pode experenciar. Os madeireiros foram embora com a madeirae com o dinheiro ali pilhado de forma ilegal. O povo, iludido,abandona a terra em busca de novas frentes de destruição. Assim fazemos sem-terra perdidos na Amazônia. E este ciclo não pára, avançandocada vez mais. Será que um dia estes habitantes do norte do paísconseguirão comer dinheiro? Bem, nem este alimento feito de papel elesterão, se assim continuarem, porque riqueza alguma fica ali!

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