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domingo, 19 de outubro de 2008

Por Eloá e por todos nós

Eloá, menina vítima de um algóz e agora dignificada pela doação de seus órgãos para bem de alguns doentes.Queria fazer uma reflexão sobre o poder que nós, ditos seres humanos, temos de destruir os corações e as almas de nossos semelhantes com um simples gesto de ódio. Os pais de Eloá hoje estão passando pelo horror da perda de sua filha, e só quem já passou por isso, e eu passei, sabe do inferno em que somos jogados num átimo, e da destruição que os maus causam em nossas vidas. Eu não me considero uma pessoa fraca, mas quando tive que olhar nos olhos daquele que empunhou a arma que havia tirado a vida de meu filho, sucumbi pela primeira vez na vida a um desmaio. O que causou isso foi a triste percepção de como nós, seres humanos, somos também monstruosos, de como podemos facilmente ferir nossos semelhantes e à partir dali, nunca mais deixei de temer à nos mesmos.

Sucumbi à percepção mas não ao medo.Temos que agir pelos que se foram e pelos que ficaram feridos pela dor da perda.Eu decidi após a perda de meu filho que nunca mais defenderia a pena de morte para crime algum, pois soube, na carne e no espírito, do valor de uma vida perdida, e sei do dever e da responsabilidade que temos em preservá-la.Mas apelo aos legisladores deste país doente pela violencia que nele grassa: endureçam as penas para estes crimes hediondos, acabem com as brechas legais que incentivam a impunidade dos criminosos, façam isso pelo amor de Deus! Por todas as Eloás e por todos os "pais órfãos" de seus filhos.Ou serão responsabilizados por sua indesculpável omissão.

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