A capa apresenta NARA exibindo uma sensualidade discreta, tímida. Mérito para o fotógrafo que soube traduzir com raro talento apersonalidade de NARA LEÃO em imagem de sugestiva beleza, quase nadaexplícita,porém mais inspiradora e sincera. Nara sempre soube auferiro valor dos grandes compositores, fossem eles antigos ou ainda jovens.Nesse disco nordestino, há composições de CLODÔ/CLIMÉRIO E CLÉSIO,e deautores renomados como FAGNER/FAUSTO NILO, GERALDO AZEVEDO, MORAESMOREIRA , ROBERTINHO DO RECIFE e CAPINAM. Lembre-se que NARA ja havia sido madrinha de FAGNER no início da década de 70, na edição de "Manera-fru fru". RObertinho do recife é uma grata surpresa nesse disco, com seus riffs exuberantes de guitarra elétrica, muito raros nos discos de NARA, embora ela tenha apoiado a incursão das guitarras elétricas muito antes, em apoio ao movimento tropicalista. "Seja o Meu Céu", "Laranja da China", "Moça Bonita" são belas composições pops. Nara sabia como ninguém apreciar o "novo" sem sujeitar-se aos modismos de época, algo raro nos dias de hoje, entre os artistas. Perfeitas asparticipações de Fagner em "Traduzir-se" e "Por Um Triz", com sua voz grave contrapondo-se a leveza da musicalidade de Nara, que aparece inesperadamente como compositora também em "Cli-Clê-Clô". Há também o charme de "Penas Deo Tiê". Nara com charme nordestino.
Everi Rudinei Carrara: editor do site telescopio.vze.com
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