(publicado no Fórum dos Leitores do Estadão - 18/08/2008)
Mais civilizado do que o juiz pensava? Há mais de 30 anos sou leitor do Estadão e o editorial de 15/8 é perfeito do ponto de vista jurídico, mas poderiam ser-lhe feitas algumas observações. Não vou a ponto de dizer, como o juiz, que o Brasil não é um país civilizado. Eu diria que existem áreas civilizadas e outras, não. Gostaria de ver as Excelências do Supremo participando, com a Polícia Federal, de uma operação para prender traficantes, bandidos, assassinos, etc. Sei que nunca participarão disso, porque vivem protegidas e andam em seus carros blindados. Esses ministros são semelhantes a sacerdotes que ditam regras sobre o casamento, mas nunca se casaram ou, no máximo, conhecem o problema de suas leituras. Meter a mão na massa é outra coisa e tenho certeza que essas regras sobre uso ou não de algemas vai inibir os agentes de segurança e não só permitir fugas, como até pôr em risco a vida deles. O Brasil não é um país civilizado, mas no Brasil que estamos vivendo eu fico com Oswald de Andrade e seu Manifesto Antropófago de 1928, quando escreve: "Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago." O Supremo parece que nas suas últimas decisões, como o endossamento dos fichas-sujas, não percebeu que o Zeitgeist do Brasil pede uma volta aos valores éticos, sem os quais um povo não pode subsistir. E, finalmente, pergunto: o povo que só se interessa pelo que não é seu se pode dizer que é civilizado?
Antonio Ribeiro de Almeida - "Dom Burunganda" - Jornalista
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