Após uma discussão sobre a miserabilidade do brasileiro, senti-me motivado a buscar dados mais seguros. Afinal, quantos miseráveis temos no Brasil?
Num estudo da Fundação Getúlio Vargas, encontrei 59 milhões de pessoas.
Num outro estudo, do programa Fome Zero, achei 46 milhões.
Nos documentos do PT, o número usado para se eleger: 44 milhões.
Num trabalho do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Planejamento, 22 milhões.
E num trabalho da pesquisadora Sonia Rocha do IBRE – Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, achei 16 milhões...
Capturo então as palavras do professor Simon Schwartzman em entrevista: “... existem muitas maneiras diferentes de estabelecer as chamadas” linhas de pobreza “, o que é sempre uma decisão política, e não meramente técnica. Alguns economistas que se dedicam ao tema têm defendido a necessidade de definir uma linha oficial de pobreza para Brasil, que teria que optar por uma das diferentes metodologias propostas, e que tem levado à grande variação do número de” famintos “e” indigentes “. (...) A pobreza varia de lugar para lugar, é diferente no campo e na cidade, entre jovens e entre velhos, no Nordeste e no Sudeste, e não me parece que ajudaria estabelecer um critério arbitrário para definir quem fica abaixo ou por cima de uma medida estatística qualquer, por mais bem elaborada que seja, como critério para políticas de governo. É uma situação semelhante à das estatísticas de emprego, em que o IBGE e a Fundação SEADE há anos publicam números diferentes, resultado de diferentes conceitos e metodologias. Seria muito bom poder unificar estas duas pesquisas, evitar superposição e não continuar confundindo os não especialistas”.
Como é que entramos numa discussão cuja base é um número que pode variar entre 16 e 59 milhões? Que segurança essa amplitude de dados pode garantir para uma tomada de decisão? Que tamanho é o problema que temos no Brasil?
Todos especulam, ninguém sabe.
A energia que deveria ser aplicada na definição clara de uma base de dados que pudesse ser transformada em informação e conhecimento é aplicada em tentativas de mudar a realidade, mudando as estatísticas. Não percebemos que quem mede a coisa errada, não apenas perde tempo, mas pode destruir aquilo pelo que está trabalhando.
Esse é mais um nó do Brasil: a política usando estatísticas para julgar, condenar e indiciar, contando tudo, mas entendendo o significado de nada.
A verdadeira miséria do brasileiro está na inteligência.
Num estudo da Fundação Getúlio Vargas, encontrei 59 milhões de pessoas.
Num outro estudo, do programa Fome Zero, achei 46 milhões.
Nos documentos do PT, o número usado para se eleger: 44 milhões.
Num trabalho do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Planejamento, 22 milhões.
E num trabalho da pesquisadora Sonia Rocha do IBRE – Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, achei 16 milhões...
Capturo então as palavras do professor Simon Schwartzman em entrevista: “... existem muitas maneiras diferentes de estabelecer as chamadas” linhas de pobreza “, o que é sempre uma decisão política, e não meramente técnica. Alguns economistas que se dedicam ao tema têm defendido a necessidade de definir uma linha oficial de pobreza para Brasil, que teria que optar por uma das diferentes metodologias propostas, e que tem levado à grande variação do número de” famintos “e” indigentes “. (...) A pobreza varia de lugar para lugar, é diferente no campo e na cidade, entre jovens e entre velhos, no Nordeste e no Sudeste, e não me parece que ajudaria estabelecer um critério arbitrário para definir quem fica abaixo ou por cima de uma medida estatística qualquer, por mais bem elaborada que seja, como critério para políticas de governo. É uma situação semelhante à das estatísticas de emprego, em que o IBGE e a Fundação SEADE há anos publicam números diferentes, resultado de diferentes conceitos e metodologias. Seria muito bom poder unificar estas duas pesquisas, evitar superposição e não continuar confundindo os não especialistas”.
Como é que entramos numa discussão cuja base é um número que pode variar entre 16 e 59 milhões? Que segurança essa amplitude de dados pode garantir para uma tomada de decisão? Que tamanho é o problema que temos no Brasil?
Todos especulam, ninguém sabe.
A energia que deveria ser aplicada na definição clara de uma base de dados que pudesse ser transformada em informação e conhecimento é aplicada em tentativas de mudar a realidade, mudando as estatísticas. Não percebemos que quem mede a coisa errada, não apenas perde tempo, mas pode destruir aquilo pelo que está trabalhando.
Esse é mais um nó do Brasil: a política usando estatísticas para julgar, condenar e indiciar, contando tudo, mas entendendo o significado de nada.
A verdadeira miséria do brasileiro está na inteligência.
Luciano Pires - Jornalista
4 comentários:
A flagrante distorção dos números no intento de criar uma realidade falsa demonstra a determinada intenção de manipular a consciência dos brasileiros.
Mara
Concordo com a querida Mara,
Se números fossem levados em conta....o número de escândalos desse governo já teria decido pelo "impeachment" do sr. Lulla!
Números camuflados, números não divulgados...só se divulga o que é bom!
Pobre brasileiro que se fia em números, ainda mais os divulgados por esse "governinho"!
beijinhos,
Lígia Bittencourt
Oi, gostei muito do seu blog.
Parabéns!
Abraços
Com IBGE, IPEA, FIPE, IBOPE e outros institutos flagrantemente aparelhados (os 2 primeiros) ou manipulados, não dá para acreditar em índices neste país que já foi sério. Enquanto dominar a ditalulla, podemos esquecer estudos confiáveis.
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