Fichas sujas – publicado no jornal Valor Economico em 11/08/08
O STF (Supremo Tribuna Federal) decidiu rejeitar o pedido dos juízes e liberar candidatura de “ficha suja”, prevalecendo o que está na Constituição: ninguém pode ser privado do direito político de se candidatar enquanto o processo a que responde não tiver sido julgado em ultima instância (transitado e julgado). Belas palavras, porém sem o menor sentido para milhões de eleitores que se quer imaginam o seu significado. Dessa forma, caberá ao eleitor a tarefa de fazer a sua varredura na ficha de seu candidato que por culpa de uma justiça leniente e morosa fica anos sem julgar os processos, enquanto eles mofam nas prateleiras dos tribunais. Uma ironia quando se sabe que o voto da maioria das pessoas funciona como moeda de troca pela bolsa-família que lhes é oferecida. Certamente, os eleitores gostariam de entender porque a leniência com o crime é tão vagarosa e porque os responsáveis por mudar as leis ficam somente no discurso enfadonho há anos. Para questionamentos como esses é que deveríamos mudar a cara da nossa política, tão enraizada e mergulhada na lama da corrupção, despachando os picaretas para casa, pois mesmo sem mandatos eles jamais perderão suas boquinhas. A sociedade assiste perplexa e constrangida, o risco de ver, em suas casas legislativas pessoas cada vez mais desonestas e comprometidas com o crime rindo de seus eleitores, por falta de leis mais duras aos transgressores. Um descalabro e uma vergonha!
Izabel Avallone
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