Apreciem e comentem...
Lígia Bittencourt
Que autismo é esse, companheiro?
Nascemos incompletos, imaturos. Sem família e cultura não teríamos linguagem, sentimentos humanos ou identidade sexual, portanto, tudo aquilo que nos torna, efetivamente, seres humanos. Além disso, sabe-se que a natureza falha, que a genética traça limite às potencialidades individuais e nos predispõe às doenças do corpo e da alma. Lacunas, carências e lesões instaladas precocemente em nossa alma lançam sombras sobre nossas atitudes, sentimentos, fazendo então com que nossa liberdade individual ou o livre arbítrio se tornem meras ficções. Por tudo isso, leitor, poderíamos ser menos narcísicos ou vaidosos quanto aos nossos méritos e valores socialmente reconhecidos. Da mesma forma, deveríamos ser mais tolerantes ou menos cruéis diante das falhas e limitações próprias ou daqueles que nos rodeiem. Em fim, podemos ser fracos ou fortes, vocacionados para o mal ou para o bem, sádicos ou amorosos, sem que tenhamos voluntariamente escolhido tais tendências dominantes. Neste momento a Mídia nos informa sobre a libertação de pessoas das mãos do movimento narcoterrorista colombiano, de inspiração marxista-leninista, a ideologia básica do PT. Eram quase sempre seqüestrados e usados como objeto de troca para obtenção de recursos e outros fins da nobre causa narcoterrorista, que os define ainda como “prisioneiros de guerra” e cuja fuga se deveria a “traições feitas à causa revolucionária socialista”. Como se vê, perdem a guerra, mas não perdem o topete, pois justificam seus crimes do mesmo modo que stalinistas, maoístas e nazistas justificavam os seus: orgulhosos de sua “práxis” política libertadora da raça, da História ou da humanidade. Reacionários, moralistas, lacaios do capitalismo seriamos nós, incapazes de compreender a grandeza de suas práticas políticas, com assassinatos, seqüestros, narcotráfico. Nesse contexto, chamam atenção as reflexões de Ingrid Betancourt, libertada pelas Forças Armadas Colombianas, a partir de suas vivências como “prisioneira de guerra”, durante seis longos e sofridos anos: “O que aprendi em todos estes anos sobre as Farc é que são uma organização autista, fechada. São de outro planeta, outra civilização. Usam outro parâmetro de lógica”. Consideramos a conceituação de “autista” aqui usada para definir seus captores, muito apropriada, pois o autismo é uma patologia de base genética da qual resulta, desde o início da vida, uma ruptura, um afastamento da realidade. É preciso entender, entretanto, que os narco-guerrilheiros não seriam “autistas” no sentido psiquiátrico, pois entram num processo mental equivalente ao autismo, a partir de uma ideologia totalitária que, inegavelmente, sempre leva seus militantes a “outro planeta”, “a outro parâmetro de lógica”. Sempre foi assim, em todo lugar, inclusive entre nós, brasileiros. Querem ver? Apesar de tudo o que foi revelado e concluído na CPI dos Correios, dignamente conduzida pelo nosso Senador Delcídio Amaral, sobre a obtenção de recursos através da corrupção para “compra” de políticos e siglas partidárias visando manutenção do poder, a militância do Partido envolvido ainda ousa dizer que “nada foi comprovado”, que “tudo é coisa das elites e da imprensa contra o governo popular”, que “todo mundo faz”... Ou seja, leitor, essas pessoas habitam outro mundo, “usam outro parâmetro de lógica” e, tal como os narcoterroristas, fascistas e stalinistas, não reconhecem seus crimes como “crime”. Eles próprios se anistiam. É um autismo ideológico, cuja genética está numa crença bem identificada e sabida, com sua bíblia, profetas e santos. Fica então a pergunta, caro leitor: o que tornaria algumas pessoas vulneráveis ao vírus totalitário-autista, cujo sintoma maior é o delírio de estarem acima do bem e do mal, para poderem dizer “eu tudo posso”? Quem precisa desse autismo para viver? Respondo aqui: as ideologias onipotentes são fórmulas compensatórias para as almas pequenas, artificios com os quais egos apequenados se tornam, de modo delirante, condutores da história e do destino humano. Por isso, caro leitor, eles continuam "acreditando" no PT e sua ideologia marxista-leninista, sempre fracassada como instrumento de promoção humana, mas atualíssima como bengala dos pobres de espirito.*
Valfrido M. Chaves – Psicanalista, Pós Graduado em Política e Estratégia
Um comentário:
Bem vinda a participação de Valfrido Chaves ,esta sua análise torna muito mais clara o modo como opera essa gente que fez desaparecer a arte de fazer política introduzindo a politicagem rasteira ,achando que enganam a todos.
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